
A despeito da crise que atravessa o setor sucroalcooleiro, a busca por competitividade permanece. As obras do alcoolduto ligando Ribeirão Preto (SP) a Uberaba estão em fase final, com previsão de conclusão para agosto
A operação do alcoolduto permitirá que o álcool produzido no Triângulo seja transportado até o polo petroquímico de Paulínia, em São Paulo, já que o trecho entre esta cidade e Ribeirão Preto já está em operação desde agosto do ano passado.
As obras fazem parte do megaprojeto da empresa Logum Logística de instalar uma linha de alcoolduto de Goiás ao Rio de Janeiro, em um total de 1,3 mil quilômetros, com investimentos de aproximadamente R$ 6 bilhões. A Logum já conseguiu Licença Prévia (LP) para o duto de Itumbiara (GO) até Uberaba já foi emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).
Além do mercado interno, a empresa planeja viabilizar a exportação do etanol.
Empresa
A Logum é a junção de várias empresas do setor com interesses comuns. Integram o capital social da companhia Petrobras, Raízen, Copersucar e Odebrecht (com 20% de participação cada), e Uniduto e Camargo Correa (com 10% de participação cada).
De Ribeirão Preto a Uberaba, um trecho de 144 quilômetros, foram alocados R$ 401 milhões. Segundo a Logum, a fase atual é de conclusão das obras e montagem final dos equipamentos. De Uberaba a Itumbiara, com extensão de 259 quilômetros, o Ibama aprovou a Licença Prévia e o empreendedor, agora, aguarda a Licença de Instalação para iniciar as obras. A empresa não informou sobre prazos.
A Logum unificou o projeto, que antes tinha três vertentes sob responsabilidade de três investidores distintos. O plano, agora, além dos 1,3 mil quilômetros de dutovia, também terá 750 quilômetros de hidrovia, passando por cinco estados brasileiros e 45 municípios. A capacidade total prevista de transporte é de 20 milhões metros cúbicos/ano. A capacidade total de tancagem é de 600 mil metros cúbicos em nove terminais, sendo oito de captura e um de distribuição.
Hoje, a logística responde por 4% do preço do etanol nas bombas. O setor estima que possa reduzir este custo entre 30% e 40%. Na outra ponta, o sistema por dutovia pode dar maior competitividade às exportações. O Brasil exportou na safra passada 2,5 bilhões de litros de álcool, e Minas Gerais é o terceiro maior exportador do país, porém com apenas 2,6% de participação. São Paulo concentra 87,1% dos embarques e Paraná, 5,6%.
Produção de cana será 3% menor na safra atual
A safra de cana de açúcar 2014/2015, que começou em abril e se estende até dezembro, vai moer 59,5 milhões de toneladas, redução de 3% em relação aos 61,2 milhões da safra passada.
A produção de etanol hidratado (combustível) vai cair 17% na comparação com o período anterior, de 1,503 milhão de litros para 1,252 milhões. Já o álcool anidro, usado na mistura com a gasolina, terá pela primeira vez produção maior do que a do hidratado, e atingirá 1,279 milhões de litros, volume 9% superior à safra passada.
Já a produção de açúcar, majoritariamente exportada, será de 3,520 milhões de toneladas, 3% abaixo dos 3,409 milhões da safra 2013/2014.