Alta de declarações na malha fina expõe impacto do fim da DIRF no cruzamento de dados
Dados que antes eram concentrados em uma única declaração anual passaram a ser enviados ao longo do ano por meio do eSocial e da EFD-Reinf
A mudança na forma de envio das informações neste ano e também o alcance maior do cruzamento de dados pela Receita Federal já elevou o número de declarações do Imposto de Renda retidas na temida malha fina do Fisco. Especialista diz que as mudanças têm gerado dúvidas e inconsistências.
A expectativa é que cerca de 44 milhões de declarações sejam entregues até 29 de maio, data-limite para o acerto de contas com o Leão. Até lá, contribuintes e empresas relatam dificuldades práticas enfrentadas, principalmente neste primeiro ano sem a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF) como base anual de consolidação de dados, que altera a lógica de conferência e aumenta o risco de erros.
Extinta para fatos geradores a partir de 1º de janeiro de 2025, a DIRF deixa de ser entregue em 2026. Com isso, os dados que antes eram concentrados em uma única declaração anual passaram a ser enviados ao longo do ano por meio do eSocial e da EFD-Reinf.
“O grande ponto de atenção é que agora o cruzamento é feito com base em informações enviadas mensalmente. Como este é o primeiro ano completo sem a DIRF, estão aparecendo inconsistências na consolidação dos dados”, explica Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade.
Segundo ele, a ausência de uma base anual única tem dificultado a conferência das informações. “Antes havia uma referência consolidada. Agora os dados vêm de sistemas diferentes, enviados em momentos distintos. Isso aumenta significativamente o risco de divergências”, explica.
Com o prazo já em curso, Domingos aponta que o volume de declarações com inconsistências tem sido superior ao observado em anos anteriores. A principal razão é a divergência entre informes de rendimentos, dados transmitidos ao longo do ano e as informações efetivamente declaradas.
“Este cenário já está gerando muitas dúvidas e, na prática, já estamos vendo mais declarações caindo na malha fina. Isso ocorre principalmente por diferenças entre informes e os dados que estão no eSocial e na Reinf”.
Vale destacar que o problema nem sempre está no contribuinte. “Se houver erro na origem da informação ou divergência entre sistemas, o contribuinte pode cair na malha fina sem identificar imediatamente a causa”, explica.
Cautela redobrada
A declaração pré-preenchida, que neste ano ganha ainda mais protagonismo, também exige atenção. Eventuais falhas podem ser automaticamente refletidas na declaração do contribuinte.
“O contribuinte precisa validar rendimentos, retenções, despesas médicas e previdência antes de enviar”, afirma Domingos. O sistema “Meu Imposto de Renda” passou a contar com alertas de inconsistência e novas funcionalidades, mas isso não elimina a necessidade de revisão manual.
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