Com previsão de fechar o ano com um déficit que pode chegar a R$ 10 bilhões, o governo de Minas ainda terá que administrar um peso maior da dívida por causa da desvalorização do real diante do dólar. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (14), a agência de classificação de risco Moody’s apontou que o efeito da queda do real “será crítico para o Estado de Minas Gerais”, por causa de seu alto nível de endividamento.
Conforme a agência, o endividamento em dólar do Estado avançou para 22% do valor total da dívida em 7 de setembro. No fim do ano passado, o endividamento em dólar representava 17% do total da dívida do Executivo mineiro. A Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais confirmou os índices apontados pela Moody’s. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, o valor da dívida fundada lastreada em dólar chegou a R$ 21,6 bilhões em agosto deste ano, ante uma dívida total de R$ 98,5 bilhões. Em dezembro de 2014, a dívida em dólar chegou a R$ 15,9 bilhões, para um total de R$ 89,1 bilhões.
“A situação de Minas está crítica, com receita despencando, gastos aumentando, sem contar que o governo já teve que conviver desde o início com um déficit. Com esses encargos crescentes da dívida externa, a situação só se complica”, avalia o professor da Escola de Governo da Assembleia Legislativa de Minas, Fabrício Oliveira.
Um quadro ruim, mas que ainda pode piorar. “Não há como deter a escalada do dólar, e o Brasil ainda pode perder grau de investimento nos próximos meses. Tudo isso influencia nos estados, afinal, está todo mundo no mesmo barco”, prevê Oliveira.
No relatório divulgado nesta segunda-feira (14), a agência de classificação de risco prevê que Minas Gerais não conseguirá sanar rapidamente seus desequilíbrios fiscais, levando a déficits substanciais neste ano e no seguinte e a uma maior deterioração das métricas de crédito, atualmente posicionadas no lado “fraco” da categoria de rating Ba1.
A agência diz que, na segunda-feira passada, o real se desvalorizava 43% em 2015 ante o dólar e caía 72% nos últimos 12 meses.