
A inflação perdeu força em fevereiro, em Belo Horizonte. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em -0,20% no mês, bem abaixo dos 2,38% de janeiro. No ano, o acumulado chega a 2,17% e nos últimos 12 meses, a 5,40%. Despesas com energia elétrica foram o principal remédio contra o dragão. Com peso de 3,32% na composição do índice, o item recuou 18,14% em fevereiro, colaborando diretamente para a queda da inflação.
A redução na conta de luz também amenizou os efeitos do aumento da gasolina, que subiu 3,91% em fevereiro. “Se não fosse a queda nos preços da energia, a inflação em Belo Horizonte seria positiva, em torno de 0,39% no mês”, afirma o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Wanderley Ramalho.
Segundo ele, fevereiro ainda ficou livre dos aumentos de passagem de ônibus, empregada doméstica, material e matrícula escolares, registrados em janeiro. Outro alívio veio das liquidações, puxando para baixo o item vestuário. Já a alimentação continua pesando no bolso do consumidor. No mês, os preços dos alimentos avançaram 0,81%. Chama a atenção, mais uma vez, a alta dos produtos in natura, agora de 2,13%. Destaque à mesa na época da quaresma, o ovo de galinha também ficou 16,22% mais salgado. “Além de muito consumido neste período, o milho e a ração subiram cerca de 20%, impactando os custos do produtor e para o consumidor final”, explica Ramalho.
Para o professor, o dragão mais contido é um sinal positivo. “A safra recorde de alimentos vai aliviar a inflação desses produtos. E o setor de serviços, que também vem impactando o índice, deve parar de pressionar, já que a massa salarial, neste ano, tende a arrefecer”, avalia. O coordenador do Ipead não descarta a elevação da taxa de juros para conter as baforadas do dragão. “A tendência é estabilidade ou pequenos aumentos”, acredita.