
O ano que começou será o da transição na economia brasileira. Para empresários e economistas, de modo geral os indicadores ainda apresentarão resultados fracos, porém com sensível melhora frente a 2014. A expectativa é de que o Brasil cresça 0,7%, e Minas Gerais, 0,2%, ambos resultados mais favoráveis do que os do ano passado, que tem estimativas de variação do Produto Interno Bruto (PIB, bens e riquezas produzidos) do país de 0,18% e do Estado, de retração de 0,4%.
O preço das commodities, de acordo com especialistas, se manterá em níveis baixos, com viés de queda para a maioria dos produtos, entre eles minério de ferro e petróleo, pesando de forma contrária à expansão da economia. Por outro lado, deverá ter continuidade a trajetória de desvalorização do real, com potencial para resultados positivos na balança comercial, via aumento de exportações e queda de importações.
Commodities
Minério de ferro e café, que juntos respondem por 55% das exportações de Minas Gerais, enfrentarão conjunturas bem diferentes em 2015. O primeiro vive o desafio de ajustar o crescimento da oferta à redução de demanda, e o segundo, de garantir oferta para a constante expansão da demanda.
No ano passado, as vendas externas de café pelo Brasil devem ter atingido o maior volume da história, de algo próximo de 36 milhões de sacas, segundo o analista de mercado do Escritório Carvalhaes, especialista em café, Eduardo Carvalhaes. “Em 2015 vamos, no máximo, repetir o ano de 2014, se as condições climáticas permitirem. Haverá impacto da seca e por isso não teremos produção maior”, diz.
Dados da Organização Internacional do Café indicam um crescimento médio do consumo do produto no mundo de 2,5% nos últimos anos, o que deve se repetir em 2015. “Isso quer dizer 3 milhões de sacas a mais. Em dez anos são 30 milhões de sacas a mais, o correspondente a um Vietnã em produção, o segundo maior produtor do mundo. Tem que ter planejamento para atender a essa demanda, e isso depende de melhor remuneração”, aponta Carvalhaes.
Carvalhaes observa que os cafeicultores, sobretudo no Estado, são mal remunerados. A produção, concentrada em regiões montanhosas e em pequenas fazendas, não dá o ganho de escala necessário para reduzir os custos. E a dificuldade de mecanização também mina a lucratividade. “Temos que intensificar os trabalhos de agregação de valor, certificações e combater a defasagem de preços”.
No caso do minério de ferro, que em 2014 acumulou desvalorização próxima de 50%, a tendência é de manter a trajetória de queda. A cotação da tonelada oscila hoje em torno de US$ 68 e especialistas projetam que pode cair abaixo dos US$ 60.
Indústria
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) considera que os ajustes fiscais a serem realizados pelo governo federal, aliados ao cenário externo ainda desfavorável, impedirão uma expansão maior da economia.
A recuperação do dinamismo do parque industrial sofreu dois baques importantes que comprometem o setor em 2015. “A Petrobras (epicentro de um escândalo de corrupção) é uma grande empresa. É formuladora de política industrial, tamanha a cadeia produtiva que movimenta. Estamos com um problema sério lá. Outra questão é o BNDES, que também fazia política industrial apoiando vários setores. Teve desvios de rota, mas o papel é muito bom”, diz o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes.
Na agropecuária, onde a Consultoria Tendências estima um crescimento de 2,2% em 2014, e de 1,8% em 2015, a aposta de Minas é de ventos favoráveis para o setor de alimentos, especialmente carnes. “Evoluímos muito nas questões sanitárias e isso abre um amplo mercado alinhado com os acordos internacionais, sobretudo na Europa”, diz a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso.
Comércio
O comércio varejista deverá ter desaceleração nas vendas entre 2014 e 2015, saindo de um crescimento de 2% para 1,7%. O economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Caio Gonçalves, avalia que a tendência no primeiro trimestre é de redução de vendas. “Com inflação e juros altos a inadimplência aumenta. E com maior escassez de crédito, o consumidor reduz suas compras”.