
Quinze das 37 obras que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) toca para atender à Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) durante a Copa de 2014 estão atrasadas ou apresentam alguma divergência do cronograma original. Os números foram apresentados em relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para acompanhamento dos projetos nas cidades-sede do evento.
Segundo o documento, é necessário agilidade das companhias na execução dos projetos. A Cemig admite os atrasos, mas garante que as obras ficarão prontas no tempo adequado.
Obras de linhas de distribuição de alta tensão, linhas de distribuição de média tensão e subestações de distribuição estão atrasadas em diversos trechos. Em alguns casos, o projeto não saiu do papel.
A linha de distribuição de média tensão Jaboticatubas-Betim, por exemplo, já teve as obras civis concluídas. A montagem, que estava prevista para começar em outubro do ano passado, no entanto, ainda não foi iniciada. O mesmo acontece com os trechos Jaboticatubas-Baldim e Jaboticatubas-Lagoa Santa.
Em Belo Horizonte, a montagem e as obras civis da linha de distribuição de alta tensão Adelaide-Carlos Prates já estão concluídas. O comissionamento, que estava previsto para outubro de 2012, foi 60% concluído. Na subestação de distribuição Pampulha, cuja conclusão estava prevista para setembro do ano passado, apenas 10% das obras foram concluídas. Outras nove distribuidoras do país apresentaram atrasos.
A assessora de gestão de riscos da comercializadora de energia Trade Energy, Regina Pimentel, afirma que os empreendimentos avaliados pela Aneel têm o objetivo de dar mais segurança ao consumidor durante a Copa de 2014, evento que demandará mais energia. “São obras de reforço, de segurança. É importante que os olhos estejam voltados para a geração de energia, para os reservatórios”, afirma.
O diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), Roberto D’Araújo, critica a forma como a Aneel acompanha as obras. “O Brasil tem diversos empreendimentos em andamento. É errado dar prioridade aos que estão envolvidos na Copa, época em que o mundo inteiro estará voltado ao país. O cliente brasileiro que fica sem luz várias vezes ao ano deve ser melhor tratado”, diz.
A tarifa de energia paga no Brasil, a quarta mais alta do mundo, segundo estudo da Firjan, foi outro ponto citado pelo diretor do Ilumina como fator que deveria resguardar a qualidade do serviço prestado.
Dificuldade para adquirir as licenças ambientais foi um dos motivos citados pela Cemig ao justificar os atrasos. “No entanto, a empresa ressalta que, mesmo com a revisão dos cronogramas de implantação, todas mantêm a conclusão para o ano de 2013, portanto não impactando o evento Copa de 2014”, afirma nota enviada pela Cemig.