Atraso em linhões agrava risco de apagão no Brasil

Tatiana Moraes - Do Hoje em Dia
Publicado em 08/01/2013 às 11:42.Atualizado em 21/11/2021 às 20:24.
 (Daniel Beraldo/Jornal Folha do Lago)
(Daniel Beraldo/Jornal Folha do Lago)

O atraso no início da operação de duas linhas de transmissão no Norte do Brasil intensifica o risco de racionamento provocado pelo longo período de estiagem e consequentes baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas. A primeira linha de transmissão cuja demora na conclusão pode agravar o risco de apagão é o linhão do Madeira, que interliga Porto Velho, em Rondônia, a Araraquara, no interior de São Paulo.

Embora estivesse prevista para ser finalizada em fevereiro deste ano, a equipe de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima um novo prazo para 16 de setembro.

Os consórcios Integração Norte (Eletronorte, Eletrosul, Abengoa e Andrade Gutierrez) e Madeira Transmissão (Cetep, Furnas e Chesf) são responsáveis pela obra, que possui 2.375 quilômetros (km) de extensão. A linha servirá para ligar as usinas de Santo Antônio e Jirau ao Sistema Interligado Nacional (SIN), que distribui a energia pelo Brasil. Juntas, as usinas têm potência instalada de cerca de 6 mil megawatts.

Já o linhão Tucuruí-Macapá-Manaus, com 1.800 quilômetros e que atravessa a floresta amazônica, vai permitir a interligação dos sistemas isolados do extremo Norte do país ao SIN. A expectativa é a de que a conclusão do linhão de Tucuruí renda uma economia de R$ 2 bilhões ao ano ao Brasil, devido à redução do uso de energia térmica, cuja geração é mais cara.

A obra de Tucuruí é realizada por Isolux Ingenieria e pelo Consórcio Amazonas (Eletronorte, Chesf, Abengoa e FIP Brasil Energia). A conclusão estava prevista para outubro de 2011. Segundo relatório da Aneel, a estimativa é a de que o atraso se estenda até 30 de maio deste ano. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) ainda não liberou as licenças de operação (LO) para o início do funcionamento das linhas de transmissão.


Chuvas
 
Na avaliação do coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, a conclusão das linhas não é suficiente para evitar o racionamento energético, já que o registro de precipitação aponta que tem chovido menos do que a média histórica. No entanto, as linhas podem contribuir para minimizar o problema, já que colocam mais carga no sistema elétrico.

“Quando Jirau e Santo Antônio entrarem no sistema interligado, elas irão ajudar a reduzir o risco de restrição de oferta”, diz o especialista. Apesar disso, ele afirma que a falta de chuvas segue como o problema central do setor atualmente. “Se não chover, não adianta a interligação”, comenta.

A entrada em operação de 3 mil megawatts (MW) produzidos por usinas térmicas também foi citada pelo coordenador do Gesel como apaziguadora da situação crítica pela qual passar o setor.

Para o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), Roberto D’Araújo, a má gestão das usinas termelétricas contribuiu para agravar o risco. Segundo ele, os reservatórios estão baixando desde 2008. “A queda nos reservatórios deveria ter sido compensada com uso das termelétricas sempre, porém isso não aconteceu”, afirma.

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