
ITABIRA E SÃO GONÇALO DO RIO ABAIXO - A cidade de Itabira transforma picos em cavas desde 1942. Foi naquele ano, há sete décadas, que a Vale iniciou ali a exploração de sua primeira mina. Por causa do ferro, a cidade tornou-se a campeã na arrecadação dos royalties pagos pela empresa em Minas.
Em 2011, a cifra recolhida em impostos e contribuições pela Prefeitura de Itabira ultrapassou os R$ 300 milhões. Desse montante, R$ 74 milhões vieram do royalty do minério – a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Mas, o prefeito João Izael Querino Coelho (PR) quer mais.
Ele alega que o royalty pago atualmente pela Vale não é suficiente para a consecução dos projetos de diversificação da economia local, ainda absurdamente dependente da mineração. E a Itabira tão rica na teoria convive, na prática, com mazelas que caracterizam lugares bem pobres.
A falta de água, principalmente nos períodos de seca, é um dos problemas mais graves e também um dos preços mais altos que os itabiranos, hoje em torno de 110 mil pessoas, pagam por ter a maior mineradora de ferro do país abraçada à cidade. A reclamação geral é a de que a Vale, até pela característica de sua atividade, passou a se valer cada vez mais das fontes de água do município para dar seguimento aos seus processos.
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“Empresas novas não se instalam aqui por causa da escassez de água. As já instaladas não têm como ampliar a produção”, acusa o presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), José Antônio dos Reis Lopes. “O resultado é que a nossa economia continua totalmente concentrada na atividade extrativista”, lamenta.
Investimento
O prefeito João Izael admite que o sistema de abastecimento trabalha 10% abaixo do necessário, e conta com o aumento da CFEM – dos atuais 2% sobre o faturamento líquido para 4% sobre o faturamento bruto, conforme proposta em tramitação no Senado - para solucionar o problema. Já existe, inclusive, um projeto para captação de água do rio Tanque. Mas falta o principal: dinheiro.
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