Banco Central eleva Selic em 0,5 ponto para 11,75% ao ano

Estadão Conteúdo
Publicado em 03/12/2014 às 21:00.Atualizado em 18/11/2021 às 05:15.

O Comitê de Política Monetária decidiu, nesta quarta-feira (3), por unanimidade, elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, para 11,75% ao ano. Esta é a taxa mais alta dos últimos três anos.

A alta vai ao encontro da expectativa da maior parte do mercado financeiro, segundo pesquisa do AE Projeções.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 20 e 21 de janeiro de 2015.

BC erra ao elevar a taxa Selic, critica Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota criticando a elevação da taxa Selic. "Ao utilizar apenas a taxa de juros como instrumento de controle da inflação, o governo erra e derrubará ainda mais a atividade econômica, que já se encontra anêmica", afirma o presidente da entidade, Paulo Skaf.

A nota da federação lembra que dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram queda no consumo das famílias no terceiro trimestre e afirma que "o Brasil precisa urgentemente retomar o crescimento econômico", o que permitiria aumentar a arrecadação sem elevação da carga tributária.

"O governo gasta muito e gasta mal. A nova equipe econômica deve ter como prioridade o controle dos gastos correntes e aumento da eficiência, e não o aumento de juros", disse Skaf.

CNI: Alta dos juros ampliará dificuldades das empresas

A elevação da taxa básica de juros, embora indique uma ação mais ativa do Banco Central em controlar a inflação, ampliará as dificuldades das empresas, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). 
 
Em nota, a CNI defende a adoção de uma política fiscal mais rigorosa para que o combate à inflação tenha menor impacto sobre a atividade produtiva e o emprego. "Neste momento, a preocupação do Copom é necessária porque a inflação continua próxima do limite máximo da meta e há pressões por novos aumentos de preços, vindas das perspectivas de desvalorização da taxa de câmbio, dos reajustes das tarifas públicas e da elevação dos serviços", cita a confederação.
 
A CNI, entretanto, acredita que a elevação dos juros terá efeito negativo sobre o consumo e os investimentos, reforçando, no curto prazo, as dificuldades das empresas. "O desafio da política econômica é promover outras ações para conter as pressões sobre os preços e conduzir a inflação para a meta com menor impacto sobre a atividade produtiva e emprego", destaca a nota.
 
Para a confederação, a nova alta dos juros exige, simultaneamente, a adoção de uma política fiscal mais rigorosa, com a recuperação dos superávits fiscais e a melhora da dinâmica da dívida pública. "Com isso, o País poderá ter uma composição de política macroeconômica mais eficiente, com menores custos para as empresas", cita a CNI.
 
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