
A partir de junho, a Receita Federal (RF) começará a disponibilizar os primeiros lotes da restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Mas, para os mais apressados, a antecipação do pagamento já está sendo oferecida pelos bancos. Dentre as condições oferecidas pelas instituições, estão taxas de juros entre 1% e 3% ao mês, mais atrativas do que as de outras linhas de crédito – no caso do cheque especial, elas chegam a 8,08% mensais.
De acordo com especialistas, embora o serviço facilite a vida do contribuinte, é preciso levar em consideração dois fatores que vão determinar se o empréstimo é vantajoso ou não: o motivo pelo qual o consumidor precisa do dinheiro com antecedência e quanto será cobrado pela contratação do serviço.
“Será sempre uma vantagem pegar essa linha de crédito se ela for usada para pagar dívidas de cheque especial ou a fatura do cartão de crédito em atraso. Mas só para isso. Para outros motivos, é melhor deixar o dinheiro com o governo, porque ele será restituído com base em uma taxa de juros de 10,75% ao ano (Selic), o que é uma boa remuneração”, afirma o professor de Economia da Universidade Fumec Fernando Nogueira.
Critérios
Na maior parte dos bancos, a antecipação do IRPF contempla até 100% do valor da restituição que o contribuinte tem a receber da Receita – respeitando os valores máximos estabelecidos, que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil. Para contratar esse tipo de crédito, no entanto, é preciso indicar na declaração o respectivo banco para o recebimento do dinheiro.
Em algumas instituições financeiras, os não-correntistas têm a opção de fazer a abertura de uma conta-corrente com a finalidade de receber a antecipação. O pagamento do empréstimo ocorre quando a Receita restituir o contribuinte, o que pode acontecer até dezembro.
Risco
Segundo Nogueira, é comum observar situações nas quais as pessoas sentem-se tentadas a ter o dinheiro em mãos o quanto antes, ainda que para finalidades consideradas de menor importância, como a compra de um veículo ou de produtos da chamada linha branca.
“Um dinheiro que não contamos com ele, que é extraordinário, gera essa ânsia de ser recebido. Mas, do ponto de vista estritamente financeiro, não vale a pena recorrer à antecipação. Os bancos têm interesse nisso, porque eles captam dinheiro pagando um certo juro e emprestam cobrando mais. Esse é o produto deles, é daí que tiram o lucro”, diz o professor.