Impactos

Bares e restaurantes avaliam fechar mais um dia por semana após aprovação do fim da escala 6x1

Entidade afirma que falta de mão de obra e aumento de custos podem reduzir oferta de serviços e pressionar preços

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 15/10/2026 às 11:48.Atualizado em 15/10/2026 às 12:02.
Abrasel avalia que bares e restaurantes podem reduzir os dias de funcionamento diante do aumento de custos e da dificuldade para contratar mão de obra (Pexels/Divulgação)
Abrasel avalia que bares e restaurantes podem reduzir os dias de funcionamento diante do aumento de custos e da dificuldade para contratar mão de obra (Pexels/Divulgação)

Bares e restaurantes podem passar a fechar um dia adicional por semana após o fim da escala 6x1, seja pelo aumento dos custos, seja pela dificuldade de encontrar trabalhadores para cobrir as jornadas, segundo avaliação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A entidade também prevê impactos sobre preços, oferta de serviços e consumo.

O posicionamento foi encaminhado pela assessoria da Abrasel em Minas após a aprovação, pelo Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1. 

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, a mudança representa uma “tragédia socioeconômica anunciada” e deve produzir efeitos logo no início de sua vigência, principalmente em atividades que precisam funcionar durante vários dias da semana.

Segundo os dados apresentados pela entidade, 15 milhões de pessoas trabalham atualmente na escala 6x1 e passariam a trabalhar um dia a menos. Para manter a mesma oferta de serviços, seriam necessários outros 3 milhões de trabalhadores. “Onde encontrar essa mão de obra? Certamente não há essa mão de obra sobrando. Vai ser um rouba-monte”, afirmou Solmucci.

Bares podem reduzir dias de funcionamento

A Abrasel avalia que parte dos bares e restaurantes poderá optar por fechar mais um dia durante a semana diante do aumento dos custos ou da falta de trabalhadores disponíveis. A entidade também cita possíveis impactos em outros serviços que funcionam de forma contínua. 

Segundo Solmucci, hospitais podem enfrentar dificuldades para manter o atendimento durante todos os dias da semana. Ele menciona alerta feito por Francisco Balestrin, representante dos hospitais e clínicas de São Paulo, durante reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), quando foi defendida uma legislação específica para o setor.

Abrasel prevê aumento de preços

Outro efeito apontado pela entidade é a elevação dos preços decorrente do aumento do custo para manter a mesma estrutura de funcionamento. De acordo com a Abrasel, um estabelecimento que quiser continuar aberto seis dias por semana teria alta de 20% nos custos. Nos prédios residenciais, a entidade estima que as taxas de condomínio poderiam aumentar entre 18% e 20% para que a mesma estrutura de serviços fosse mantida.

“O que a gente vê é uma primeira onda de precarização enorme dos serviços. Logo em seguida, aumento de custo, inflação grande e perda de poder aquisitivo da população, o que afeta inclusive o setor de bares e restaurantes, porque menos dinheiro no bolso significa menos consumo”, afirmou.

Trabalho por hora

A Abrasel também defende a chamada PEC do trabalho flexível. Segundo Solmucci, a proposta permitiria que o trabalhador escolhesse entre a contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o trabalho por hora.

Na avaliação do presidente-executivo da entidade, a mudança na escala de trabalho pode estimular uma migração para esse modelo. “A minha visão é que o governo Lula feriu de morte a CLT no Brasil”, afirmou.

Segundo Solmucci, no trabalho por hora seria possível escolher quantos dias e em quais períodos trabalhar. Ele afirma que esse formato permitiria maior flexibilidade na organização da rotina e da jornada. A Abrasel também sustenta que trabalhadores remunerados por hora podem receber valores superiores aos mensalistas. Conforme os dados apresentados pela entidade, essa diferença chega a 60% no setor de bares e restaurantes nos Estados Unidos e varia de 30% a 40% no Brasil.

Solmucci afirmou ainda que, em algumas profissões e países, trabalhadores por hora recebem valores entre 30% e 200% superiores aos de mensalistas, enquanto determinados países estabelecem um adicional mínimo de 25%. “Desta maneira em que a proibição da 6x1 foi aprovada, o que a gente vai ver é uma fuga da CLT. Essa transição para o trabalho por hora, que o mundo em geral já adotou, virá após muito sofrimento coletivo e social, como solução para o problema criado”, concluiu.

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