
A dificuldade de adaptação ao ambiente de trabalho é um dos principais motivos para o abandono de cargos no Brasil. Uma pesquisa realizada pela empresa de auditoria e consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) mostrou que o país aparece em nono lugar no ranking das 11 nações com maior número de profissionais desistentes.
Partindo desse resultado e a fim de conhecer melhor seus próprios usuários, a comunidade virtual de empregos Trabalhando.com também fez um levantamento para descobrir os motivos que levam funcionários a buscar a porta de saída das empresas.
Dos 820 entrevistados, 31% afirmaram que já abandonaram uma vaga por não conseguirem se adaptar. Desse total, 51% alegaram que não se ajustaram à cultura da empresa, 23% tiveram dificuldades para se enturmar com os colegas, 21% não se adaptaram à tarefa demandada e 5% não conseguiram lidar com as tecnologias utilizadas pela companhia.
“A adaptação tem a ver com a escolha de onde a pessoa vai trabalhar. É uma questão de autoavaliação: o que quero para mim, como estou no momento”, diz a gerente de Recrutamento e Seleção da Trabalhando.com, Carmen Benet.
Responsabilidade
De acordo com o gerente de Recursos Humanos da Faceb/Unipac Bom Despacho, Willer Mamed, toda relação, seja ela profissional ou pessoal, pode resultar em uma experiência bem sucedida ou fracassada. No último caso, sempre existem sinais que apontam para o surgimento de um problema.
“Eles podem aparecer na forma de insatisfação que, se não for trabalhada, vira frustração. Quando a pessoa insiste em permanecer nessa situação, ela começa a adoecer, porque organismo nenhum consegue viver em um ambiente com estímulos negativos”, afirma Mamed.
Segundo ele, cabe ao próprio funcionário analisar o grau de incompatibilidade entre ele e a empresa em que trabalha e optar pela demissão, estabelecendo um diálogo com o chefe.
“Isso faz com que o desligamento seja menos traumático. Todo relacionamento envolve expectativas e realidades, então, será mais satisfatório se as pessoas se comunicarem”, disse.
Pesquisa prévia ajuda adaptação do novato
A primeira dica dos especialistas para quem está atrás do primeiro emprego ou de uma recolocação é pesquisar informações básicas sobre a empresa, para conhecer sua origem, porte e expressão no mercado. Embora outras percepções sejam possíveis somente depois da contratação, adiantar alguns aspectos oferece vantagens ao candidato.
“O ambiente reflete muito do que emitimos. É preciso que a pessoa tenha atitudes positivas para que ele não se torne hostil. Ela deve ser simpática desde o início, afinal, está entrando em um local em que não conhece as pessoas que a recebem”, afirma a gerente da Trabalhando.com, Carmen Benet.
Outro ponto importante, segundo ela, é o profissional identificar se possui as competências técnicas que o cargo exige. “Às vezes, a seleção é feita por um entrevistador descuidado e o candidato acaba entrando, mas, na hora de fazer o que precisa, ele não consegue”.
Na avaliação do gerente de Recursos Humanos da Faceb/Unipac Bom Despacho, Willer Mamed, buscar oportunidades de trabalho apenas porque existem vagas em aberto, sem considerar a convergência de interesses entre a instituição e o próprio currículo é procurar o insucesso profissional.
Além disso, ele ressalta que, diante do aumento do nível de escolaridade da população, a integra-ção entre conhecimento e habilidades cresce na mesma medida, tornando o mercado mais competitivo e as pessoas mais aflitas com o preenchimento de vagas.
“Por outro lado, percebemos que a crise está nas atitudes. Atualmente, as pessoas veem dificuldades em coisas simples, desistem facilmente”, afirma.
Perdas milionárias com a falta de sintonia
Segundo a pesquisa realizada pela PwC, a ausência de sintonia entre empregados e empresas tem gerado gastos adicionais de R$ 140 milhões por ano às empresas nacionais.
O estudo mostra, também, que os mercados com talentos mais adaptáveis são mais eficientes e produtivos, além de registrarem retornos maiores sobre os investimentos feitos no quadro de funcionários.
No Brasil, essa produtividade é responsável por um acréscimo anual à economia estimado em R$ 25,5 bilhões.