Celular 4G trará nova invasão de antenas

Bruno Porto - Do Hoje em Dia
Publicado em 19/06/2012 às 22:36.Atualizado em 21/11/2021 às 22:57.
 (Flávio Tavares)
(Flávio Tavares)

As grandes cidades do país, especialmente as 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, vão ser palco de uma invasão de novas antenas de telefonia celular. A tecnologia de quarta geração (4G), que introduzirá a internet móvel de alta velocidade no Brasil, vai exigir, para atender o mesmo público da 3G, um número duas ou três vezes maior de antenas. Isso ocorre porque as antenas 4G operam em alta frequência, permitindo a transferência de dados de forma mais ágil, porém com perdas na propagação das ondas de rádio.


De acordo com o diretor-executivo do Sinditelebrasil, entidade que representa as empresas de telefonia, Eduardo Levy, a primeira onda da invasão de antenas nos espaços públicos está para começar e vai até 2014, quando, durante a Copa, a expectativa é de operação 4G nas 12 cidades-sedes, incluindo Belo Horizonte. Nesse prazo, essas cidades vão ganhar mais cinco mil antenas, pelo menos. “Como as frequências mais altas têm menor alcance, o número de torres vai aumentar muito e, para isso, precisamos vencer algumas dificuldades”, afirma.


Conforme as empresas, haveria barreiras dos órgãos licenciadores municipais para a instalação de torres. “Primeiro, é importante deixar claro que o risco gerado pela radiação é um equívoco. A questão é estética. Celular faz tão mal para a saúde como o talco para o bebê”, defende Levy.


A entrada em operação de um número alto de novas antenas motivou o Ministério das Comunicações a iniciar estudos para a elaboração de um projeto de lei que facilite a emissão das licenças para instalação das estações radiobase, a chamada Lei Geral das Antenas.

 
Levy sustenta que existem exigências exageradas pelos órgãos municipais, como a necessidade de apresentação de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima).


“Ora, se não há impacto ambiental, qual o motivo de exigir um levantamento desse? O prazo para avaliar a licença chega a 10 meses”, reclama.


O gerente de licenciamento de infraestrutura da secretaria de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Natanael Braga, afirma que, se a empresa que solicita a licença apresentar todos os documentos necessários, a permissão é dada em 30 dias. “O problema é que sempre falta documento ou os documentos não apresentam as informações que são exigidas, como laudos incompletos”, observa.


Braga afirma que a demanda por antenas é proporcional à densidade demográfica de cada região. Sendo assim, a maior procura por espaços para antenas é na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde existe maior utilização de aparelhos móveis.


O leilão das faixas 4G foi realizado na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Dos 269 lotes colocados à venda no leilão, apenas 54 foram arrematados.


Os outros serão oferecidos em novas rodadas de licitação. O preço mínimo de todos os lotes somados chegava R$ 3,85 bilhões, mas o total arrecadado foi de R$ 2,93 bilhões. O ágio médio foi de 31,27% em relação ao valor mínimo de R$ 2,232 bilhões dos lotes adquiridos pelas empresas, conforme informações do órgão regulador.  

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