
A Usiminas conseguiu, nos últimos dias, recuperar na bolsa o valor de mercado em função da valorização dos papéis depois que o grupo Ternium/Techint pagou 82% de ágio nas ações que a Caixa de Previdência do Banco do Brasil (Previ) detinha na siderúrgica mineira. A transação levou a uma corrida pelos papéis, mas não terá fôlego para interromper a trajetória de desvalorização das ações da empresa.
O grupo Ternium/Techint pagou R$ 616,7 milhões pelo equivalente a 10% do capital votante da Usiminas e hoje tem 38% das ações ordinárias.
Pelo fechamento dessa segunda-feira (6), a Usiminas tem valor de mercado de R$ 7,449 bilhões, um pouco mais do que os R$ 7,323 bilhões de 26 de setembro, quando se anunciou a destituição do presidente e outros dois executivos da direção da companhia. A Justiça pode julgar, a qualquer momento, um agravo de instrumento que pede a recondução dos diretores aos cargos.
O analista Lenon Borges, da Ativa Corretora, disse perceber o acirramento da disputa interna na Usiminas entre Nippon Steel e Ternium/Techint. “A empresa tenderá a vagar sem avanços nas decisões estratégicas enquanto a questão sobre os novos diretores não estiver resolvida. Ademais, o cenário para siderurgia segue desafiador, à medida em que os preços internacionais de aço sofrem recuos”, disse.
O presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC), Paulo Ângelo Carvalho de Souza, também não vê mudanças de tendências para a Usiminas na bolsa. “O movimento da Techint fez o mercado assustar e as ações subirem. Mas não mudou nada em relação ao cenário anterior, que não é bom”, afirmou.
Em 2011, o board da Usiminas anunciou um planejamento para atingir, até 2015, um valor de mercado de R$ 50 bilhões.
De lá pra cá, o plano andou para trás, e a companhia, que à época tinha cotação próxima de R$ 22 bilhões, hoje é avaliada em quase três vezes menos. Nessa segunda, as ações ordinárias da empresa encerraram o pregão em queda de 0,63%, e as preferenciais em alta de 0,15%.