Cenários para 2013 com as decisões econômicas do Brasil

Do Hoje em Dia
Publicado em 10/09/2012 às 06:10.Atualizado em 22/11/2021 às 01:08.
A redução do preço da energia elétrica, a ser anunciada oficialmente nesta terça-feira (11), terá esses efeitos principais, na opinião do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, economista Nelson Barbosa: vai segurar a inflação em 2013, evitar aumento da taxa básica de juros e possibilitar maior crescimento da economia. Em outra entrevista nesse domingo (9), o ex-ministro da Fazenda Paulo Haddad mostra-se menos confiante na expansão da economia brasileira e acena até com a possibilidade de recessão caso a crise internacional continue.
 
Os dois técnicos apresentam fortes argumentos de um lado e outro. De qualquer maneira, previsões econômicas podem se confirmar ou não, pois economia não é ciência exata e traz em si forte componente psicológico. É por isso que governos se esforçam por criar frases de efeito que tenham o dom de reverter expectativas, como fez o presidente Lula ao dizer que, para o Brasil, o tsunami financeiro internacional seria apenas uma marolinha.
 
Não foi, e passado tanto tempo da eclosão da crise, ainda sentimos seus efeitos. Nos últimos trimestres se viu a economia em desaceleração, podendo desembocar numa recessão, conforme Haddad. Para ele, restam ao governo poucos instrumentos, e não há folga orçamentária para realizar um programa mais ousado de investimentos.
 
A expectativa de Nelson Barbosa é que o corte na conta de luz, de 16,2% para as famílias, dê a milhões de consumidores uma pequena folga para gastar mais. A soma desses pequenos gastos não é desprezível, como sabe qualquer dono de banca no Mercado Central de Belo Horizonte, onde o metro quadrado é o mais caro da cidade. Para o país, se a previsão se confirmar, o PIB crescerá acima de 4% em 2013, os empresários não terão que elevar preços para garantir boa margem de lucro e a inflação ficará abaixo de 5%. O tempo dirá se Brasil tem capacidade de crescer 4,5% sem gerar alta de preços.
 
Nesse cenário oficial positivo, pouco se falou ainda sobre a repercussão desses cortes de preços da energia elétrica nos planos de investimentos em hidrelétricas. Eles serão ainda mais necessários se o país voltar a crescer – o que precisa ocorrer, para tirar 22% de sua população da categoria de pobres e indigentes e para não frustrar expectativas da nova classe média.
 
Por enquanto, empresários privados que se animaram a investir pesado na área, como nas usinas de Jirau e Santo Antônio, só têm produzido problemas – ambientais e trabalhistas.
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