
Antes de embarcar no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, o passageiro é submetido a um teste de paciência. Em voos domésticos, a espera na fila para o check in leva até 46 minutos, bem acima do padrão estabelecido para esse tipo de serviço e quase o mesmo tempo de uma viagem de avião para o Rio de Janeiro (50 minutos). Os dados foram obtidos pelo Hoje em Dia junto à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), via Lei de Acesso à Informação.
Munido de documento e bagagem, até chegar a sua vez no guichê de atendimento da companhia aérea, onde o cartão de embarque é emitido e a mala, despachada, o passageiro toma um “chá de cadeira”. O levantamento, que diagnosticou as dificuldades enfrentadas por quem usa o terminal, foi feito nos guichês de três empresas – Azul, Gol e TAM .
Na mais lenta das companhias, a Gol, o cronômetro apontou para uma demora entre 35 minutos e 46 minutos. No caso da TAM, os clientes aguardaram entre 18 minutos e 36 minutos. Apontada como a mais rápida no quesito, a Azul, ainda assim, submeteu os passageiros a uma espera entre 17 minutos e 19 minutos.
As medições para aferir o tempo gasto no check in das empresas aéreas foram realizadas no primeiro semestre deste ano, durante um piloto do “Projeto de Eficiência Operacional” no terminal internacional de Confins. O programa inclui metas para os serviços nos aeroportos e maior controle de qualidade.
Para o check in, foram considerados como parâmetro desejável até 12 minutos e parâmetro aceitável, de 12 a 30 minutos. O tempo e a metodologia de medição tiveram como referência o Airport Development Reference Manual da International Civil Aviation Organization (Iata) e da International Civil Aviation Organization (Icao).
Culpa
A Infraero informa que, no caso específico dos serviços de check in, a responsabilidade é da empresa aérea transportadora, cabendo à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a fiscalização.
Mas a estatal não pode ser totalmente isenta de culpa. “A causa da lentidão no atendimento pode ter duas razões. Ou é negligência da companhia, que por economia não põe funcionários para atender nos balcões disponíveis, ou é um problema de infraestrutura, como falta de espaço físico no saguão. E aí entra a Infraero”, diz uma fonte ligada às companhias aéreas.
Lotação
Saturado, o Terminal 1 de passageiros do Aeroporto de Confins passa por obras há 13 meses. Porém, até agora, só 12% dos serviços previstos foram executados. Quando finalmente ficar pronto, sua capacidade será ampliada de 5 milhões para 6,4 milhões de passageiros ao ano. A previsão de conclusão é dezembro de 2013, mas a Infraero admite atrasos. De janeiro a setembro deste ano, quase 8 milhões de passageiros embarcaram ou chegaram por Confins.
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