Com 400 mil pares de sapatos brasileiros à espera de autorização para entrar na Argentina, devido a barreiras erguidas pelo país vizinho, a indústria nacional começa a desistir de um mercado que, em tese, seria um parceiro preferencial do Mercosul.
Em Nova Serrana, polo calçadista de Minas Gerais, os industriais têm preferido buscar novos clientes a enfrentar o cipoal burocrático argentino.
O presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Pedro Gomes da Silva, diz que não se surpreende com a atitude do governo argentino porque as relações comerciais com o país já não estavam satisfatórias.
“Já aconteceu de os fabricantes de Nova Serrana terem que esperar oito meses para a mercadoria poder cruzar a fronteira, o que causou um prejuízo enorme. Nós exportávamos cerca de 500 mil pares por ano e agora são poucos os associados que se arriscam”, diz.
Redução
Proprietário da Cromic Calçados, o empresário Júnior César tem, atualmente, seis clientes na Argentina, metade do que tinha há três anos. César diz que um terço da sua produção já foi exclusiva para o mercado vizinho.
“Até 2011, fazíamos quatro embarques por ano com 10 mil pares cada. Em 2012, foram feitos apenas três e, neste ano, só um. Não vejo mais futuro nas exportações para a Argentina e, por isso, já estou redirecionando minha mercadoria para o mercado interno. Perdemos um mercado importante, mas não corremos o risco do embarque não ocorrer”, diz.
O principal entrave enfrentado pelos exportadores brasileiros é a chamada Declaração Jurada de Antecipação das Importações (DJAIs). O documento foi criado há dois anos e é necessário para que os produtos possam entrar na Argentina. Contudo, demora tanto para a DJAI ser emitida que ela funciona como uma barreira não-tarifária.
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