
Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic em 15% ao ano. Essa é a quinta reunião seguida em que o Copom mantém os juros básicos. Minutos após o anúncio do Banco Central (BC), entidades que representam o varejo e a industria criticaram a decisão.
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), a manutenção da Selic aumenta a preocupação do setor, devido ao encarecimento do crédito.
“A atividade econômica está aquecida, mas os investimentos de médio e longo prazo, fundamentais para sustentar o mercado, estão sem fôlego. Finalizamos o último ano com a esperança de uma nova postura do Banco Central e, infelizmente, isso não foi demonstrado”, disse o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva.
O dirigente disse que os segmentos de bens de consumo duráveis (eletrodomésticos, eletrônicos), que dependem de financiamento, são os que mais sentem a manutenção da taxa e sofrem com queda nas vendas.
“O setor de serviços passa por uma desaceleração gradual. Embora a renda do trabalho ajude a sustentar o consumo básico, serviços de maior valor agregado ou que dependem de expansão via crédito (reformas, investimentos em infraestrutura de TI) tendem a estagnar. Manter os juros em 15% por muito tempo aumenta o risco de recessão no varejo, com perda de dinamismo mês a mês”.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também demonstrou preocupação, avaliando ser necessária "uma política monetária mais equilibrada". Para a entidade, a decisão do Copom restringe investimentos produtivos, encarece o crédito, eleva os custos de produção e compromete a competitividade.
"É necessário uma política monetária que consiga conciliar o controle da inflação com o estímulo ao desenvolvimento econômico e ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional", afirma o presidente da Fiemg, Flavio Roscoe.
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