
A concessão de crédito a empresas seguirá critérios mais rigorosos, a partir deste ano. Além de consultar a situação econômica dos clientes para avaliação de risco, as instituições financeiras vão incorporar análises ambientais e sociais à relação de condicionantes para oferta de financiamento.
A determinação para aumento do rigor partiu da Diretoria Colegiada do Banco Central (Bacen) e as novas regras foram apresentadas em audiência pública em meados do ano passado.
A previsão é a de que uma resolução seja aprovada nos próximos meses e entre em vigor ainda neste ano.
“A medida deverá começar a valer a partir de julho, mas os bancos já estão se preparando para cumprir as determinações do Bacen”, relata o gerente de soluções da gestora de bancos de dados Serasa Experian, Franklin Thame. A Serasa é líder na América Latina em serviços de informações para apoio na tomada de decisões das empresas.
Prévia
Segundo levantamento da Serasa, em 2011, 11% das empresas causadoras de impacto ambiental inseridas na carteira de crédito do sistema bancário nacional possuíam algum tipo de irregularidade do ponto de vista socioambiental.
Diante desse quadro, a gestora de dados antecipou-se ao Bacen e começou a oferecer, há três anos, consultas à situação socioambiental das empresas a todos os seus clientes.
A adesão ao serviço, porém, era facultativa, mas passará a ser obrigatória após a resolução do Banco Central.
Mecanismo
Na prática, a gestora de dados pesquisa junto a fontes oficiais, como Ministério do Trabalho e Emprego, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis e secretarias municipais, se as empresas que solicitam crédito estão em conformidade com a legislação brasileira.
“O produto foi desenvolvido a pedido dos bancos após eles perceberem que uma série de riscos pode prejudicar a reputação da instituição. Ninguém quer estar associado a um cliente envolvido em problemas com trabalho escravo ou crimes ambientais”, diz Thame.
De acordo com o gerente de soluções da Serasa, a principal função do produto é cumprir o pressuposto sustentável de inclusão.
“Cabe ao banco decidir se vai restringir o crédito à empresa em situação irregular ou se vai concedê-lo justamente para que ela se adeque”, aponta o gerente de soluções.