
Usinas térmicas a óleo, que produzem energia elétrica mais cara, foram acionadas ontem para afastar o risco de novo racionamento de energia no país. O despacho autorizado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) foi de 1.200 megawatts (MW) médios que deixarão de ser ofertados pelas hidrelétricas para poupar água, escassa nos reservatórios. Com a medida, que se tornou comum nos últimos anos, o país trocou o risco de apagão por uma energia mais cara.
Quanto mais as térmicas forem acionadas, menor será o impacto das medidas do governo para reduzir a conta de luz em 2013. O acionamento de térmicas movidas a óleo combustível foi necessária para impedir que os reservatórios das hidrelétricas cheguem a níveis críticos em decorrência do período de estiagem.
Repasse
O custo mais alto com a produção de energia será repassado para o consumidor na conta de luz. Para o diretor do Instituto Ilumina, Roberto Pereira D’Araujo, o custo excedente se tornou comum no país, o que pode influenciar de forma negativa os planos do governo federal de promover um alívio de 16,2% na conta de luz residencial e de 28% para a indústria.
“Na prática, trocamos o problema do racionamento pelo problema da energia cara. Investimos em térmicas movidas a diesel, o que é um atraso do ponto de vista do resto do mundo. Térmicas a gás produzem com custos mais próximos das hidrelétricas”, disse D’Araújo.
A energia de fonte hidráulica tem um custo médio próximo de R$ 120 por megawatt/hora (MWh), enquanto nas termelétricas oscila de R$ 300 a R$ 600 o MWh.
Em nota, o ONS informou que a situação dos reservatórios é causada pelo fenômeno El Niño e que a medida visa evitar que seja ultrapassada a Curva de Aversão ao Risco (CAR), que indica a chance de desabastecimento.
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