Juros

Copom decide manter taxa Selic em 13,75% ao ano; decisão desagrada indústria

Publicado em 22/03/2023 às 19:17.

Apesar da desaceleração da economia e das pressões de parte do governo, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), manteve, por unanimidade, a taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Em comunicado, o Copom informou que o ambiente internacional se deteriorou desde a última reunião do órgão, com bancos nos Estados Unidos e na Europa em problemas e com a inflação na maioria dos países não cedendo. A economia brasileira continuaria em desaceleração, com a inflação acima do teto da meta. O texto falou sobre incertezas em relação ao futuro arcabouço fiscal em elaboração pelo governo, mas elogiou a recente reoneração parcial da gasolina e do etanol.

“Por um lado, a recente reoneração dos combustíveis reduziu a incerteza dos resultados fiscais de curto prazo. Por outro lado, a conjuntura, marcada por alta volatilidade nos mercados financeiros e expectativas de inflação desancoradas em relação às metas em horizontes mais longos, demanda maior atenção na condução da política monetária”, destacou o comunicado. “Nesse cenário, o Copom reafirma que conduzirá a política monetária necessária para o cumprimento das metas.”

A taxa continua no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano. Essa foi a quinta vez seguida em que o Copom não mexeu na Selic, que permanece nesse nível desde agosto do ano passado. Anteriormente, a taxa foi elevada 12 vezes consecutivas, num ciclo que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis.

Repercussão
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse que é equivocada a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. Na avaliação da instituição, o cenário atual indica que o Copom já deveria ter reduzido a Selic.

“A CNI espera que esse processo de redução da Selic se inicie na próxima reunião. A confederação acredita que a manutenção da taxa de juros é, neste momento, desnecessária para o combate à inflação e apenas traz custos adicionais para a atividade econômica”, afirmou a instituição.

Para a CNI, os juros básicos em 13,75% ao ano restringem a atividade econômica e estariam acima do nível necessário para garantir a manutenção da trajetória de desaceleração da inflação nos próximos meses.

“A taxa básica de juros no patamar atual foi um dos fatores determinantes para a desaceleração da atividade econômica no final de 2022, com destaque para a retração de 0,2% no PIB do último trimestre. E seguirá sendo um limitador significativo para o crescimento da atividade em 2023, quando as previsões para o PIB indicam alta de apenas 0,88%, segundo o Boletim Focus do BC”.

A confederação afirmou que “é preciso que o governo tenha cautela na condução dos gastos públicos, para evitar que a taxa Selic permaneça em patamar alto, com prejuízo para a atividade econômica”.

(*) Com Agência Brasil.

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