Após uma sequência de sete altas consecutivas, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou pela manutenção da taxa básica de juros em 14,25%. Esperado pelos analistas, o “congelamento” temporário da Selic foi recebido com alívio pelo representantes do comércio e da indústria mineira. A expectativa é que o Banco Central (BC) não volte a adotar, até o final de 2016, o aumento dos juros como remédio para controlar a inflação.
“A decisão foi acertada para o momento, pois a estratégia do governo de elevar os juros para conter o aumento dos preços não surtiu o efeito esperado na economia. O que vimos foi a inibição dos investimentos produtivos, que geram emprego e renda e impulsionam a economia”, disse o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Bruno Falci.
O empresário diz que até entende que a alta da Selic seja o principal instrumento, de curto prazo, de política monetária para a contenção da pressão inflacionária. Entretanto, ele avalia que o mecanismo tem se tornado um fator de preocupação para o comércio, pois afeta um dos principais pilares do consumo: o crédito.
“Apesar de vermos que a inflação tem um efeito tão prejudicial quanto o dos juros, pois corrói o poder de compra do consumidor, acreditamos que medidas de controle da inflação deveriam ser menos onerosas para o setor produtivo e também para os consumidores. Esperamos que a taxa Selic não sofra mais aumentos neste ano”, ressaltou.
Dados da CDL-BH apontam que o comércio varejista da capital apresentou redução de 2,98% nas vendas do primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2014. É o pior desempenho para a base desde o início da série histórica, em 2007. A indústria também não vai bem. O PIB do 2º trimestre recuou 1,9% em relação ao trimestre anterior e a produção industrial, em julho, foi 8,9% inferior àquela do mesmo mês de 2014.
Para o presidente da Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado, a decisão do Copom é encarada com sentimento de consolo. “A Selic já atingiu um patamar excessivamente elevado e incompatível com a retomada do crescimento econômico. Melhor seria a redução imediata dos juros, dada a agonizante situação do país”, disparou.
Segundo ele, diante do quadro recessivo, não seria correto continuar penalizando consumidores e empresários com um novo aumento dos juros. “A incapacidade do governo de controlar a evolução da dívida pública contribui para a deterioração dos níveis de confiança dos empresários e consumidores e, consequentemente, do ambiente de negócios do país. Tal quadro afeta os investimentos e agrava a possibilidade cada vez maior de perda do grau de investimento. O resultado final desse modelo nós já conhecemos. No final das contas, resultará em mais carga tributária sobre as empresas e a sociedade, afetando o crescimento potencial do país”, concluiu.