
Principal produto de exportações do agronegócio mineiro e segundo colocado nas vendas externas do Estado, depois do minério de ferro, o café vive momento de valorização internacional em função da seca no Brasil e da queda na produção. A alta nas cotações compensou a quebra da safra, e a expectativa é a de que o produto gere uma renda 16% maior que a alcançada no ano passado.
O Valor Bruto da Produção (VBP) cafeeira de Minas Gerais, que é a produção estimada vezes a cotação média do produto, deve alcançar R$ 9,5 bilhões em 2014, segundo estimativa do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base em levantamento realizado no mês de novembro.
De acordo com a Superintendência de Política e Economia Agrícola (Spea), a cifra é 16% superior à registrada em 2013.
E não é só o café. Na contramão dos demais setores produtivos, o PIB do agronegócio em Minas Gerais deve atingir um valor recorde neste ano, de R$ 159,265 bilhões, incremento de 6,22% em relação a 2013, de acordo com os dados oficiais relativos a novembro. O resultado elevou a participação no PIB do agronegócio nacional, de 12,98%, em 2013, para 13,56%. Ou seja, apesar da seca, o aumento da área plantada, somado aos bons preços nos mercados interno e externo, compensou perdas de produtividade.
Perdas
A crise de preços que se arrastava nos últimos anos, que teve seu pior momento em 2012, prejudicou os tratos da lavoura e desestimulou investimentos. E, ainda sob os efeitos de dois anos com cotações abaixo do custo de produção, a cafeicultura enfrentou uma seca rigorosa, que comprometeu a quantidade e a qualidade da safra. O déficit hídrico nos cafezais resultou em perdas médias de 30% da produção em Minas Gerais neste ano.
No entanto, a desvalorização do real favoreceu as exportações de estoques. Até o momento, foram exportadas 30 milhões de sacas, sendo 3 milhões de café robusta (crescimento de 145% na comparação com o mesmo período do ano passado) e 27 milhões de sacas de arábica (11,3%).
No início do ano, estimava-se colher 46,5 milhões de sacas na safra 13/14 no Brasil, sendo 26,6 milhões em Minas Gerais. Mas, de acordo com os números recentes da Conab a safra foi de 45,3 toneladas, sendo 22,6 toneladas em Minas, números que são, respectivamente, 7,7% e 18,1% inferiores ao produzido na safra anterior (2012/13).
Apesar de já estar ocorrendo chuvas volumosas nas principais regiões produtoras de Minas Gerais, a colheita do próximo ano ainda trará resquício da seca. Mas ainda é cedo para quantificar este impacto. O ponto positivo é que o setor tem investido cada vez mais em qualidade e o estado está se consolidando como referência internacional do bom café. Prova disto é o volume de negócios gerados na edição da Semana Internacional do Café deste ano: R$ 85 milhões. Portanto, 2015 será um ano de recuperação para aqueles que têm investido em gestão e na qualidade.
Da parte do produtor, as palavras-chave serão gestão, produtividade, inovação, qualidade e sustentabilidade.