Minas em alerta

Crescimento da economia mineira depende da retomada da China após lockdown

Hermano Chiodi
hcfreitas@hojeemdia.com.br
Publicado em 20/01/2023 às 11:01.Atualizado em 20/01/2023 às 11:17.
A indústria extrativa mineral, que tem grande peso na geração de riqueza do Estado, é fortemente impactada por mudanças no cenário econômico chinês (Reprodução/Facebook/Vale)
A indústria extrativa mineral, que tem grande peso na geração de riqueza do Estado, é fortemente impactada por mudanças no cenário econômico chinês (Reprodução/Facebook/Vale)

O sucesso da economia de Minas Gerais em 2023 depende de um bom rendimento da China, mas os resultados divulgados neste início de ano deixam uma grande dúvida sobre o que os mineiros podem esperar ao longo do ano.

O país asiático registrou, em dezembro, um crescimento de apenas 3%. O índice é o mesmo que o Brasil teve em 2022, mas as reações são muito diferentes. Enquanto aqui foi razão de alívio frente algumas expectativas do mercado, na China foi uma grande decepção.

Em 2021, os chineses cresceram 8,1% e esperavam pelo menos 5% em 2022. O índice de 3% de crescimento no ano passado foi o segundo pior desde 1976, quando a China começou seu ciclo de crescimento econômico.

Os chineses são os principais compradores de soja, carne e minérios de Minas Gerais. Por isso, um desaquecimento por lá pode resultar em diminuição das riquezas aqui.

A razão, como explica o economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Pio, é que, por ser grande comprador, uma queda de consumo impacta na produção mineira de duas formas: “reduz a demanda e diminui os preços globais”, principalmente na indústria de extração, que é um dos puxadores de empregos no Estado.

“No caso de Minas Gerais, especialmente, a indústria extrativa é muito relevante. Para cada emprego gerado na indústria extrativa, outros seis são gerados na economia do Estado”, destaca.

Segundo o economista, os empresários mineiros vivem a expectativa do que vai acontecer a partir de agora com a mudança promovida pelo governo chinês em sua política de combate à Covid-19. 

Atualmente, a expectativa do mercado financeiro divulgada pelo Banco Central brasileiro é que o Brasil cresça 0,77% neste ano e, segundo João Pio, Minas Gerais não deve se descolar desse rendimento

“Quando surgia um caso de Covid em uma grande cidade, toda a cidade era fechada e a produção local paralisada. Isso tem impacto na economia do país, mas também no mundo inteiro, por causa da relevância da China na economia”, destaca João Pio.

O economista lembra que, em 2021, a China representou cerca de 41,5% de tudo que Minas exportou, o que representa uma entrada de quase 16 bilhões de dólares no Estado. “Para se ter uma ideia, no terceiro trimestre de 2022, o PIB de Minas teve uma retração de 2,8%, principalmente por uma queda na indústria extrativa, que se espalha na economia e é impactada diretamente pela China”, explica.

Mais que a guerra

De acordo com a análise de João Pio, o impacto de um baixo rendimento na economia chinesa pode ser maior que o da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele explica que no caso dos chineses o impacto seria direto aos produtores, enquanto a guerra traria impactos indiretos através de inflação e alta nas taxas de juros.

“Se a guerra se tornar mais intensa, pode haver uma pressão maior sobre preços e uma tendência dos bancos centrais aumentarem taxas de juros e a atividade econômica acabar impactada”, diz.

Problemas internos

Outro ponto que pode atrasar investimentos mineiros é a incerteza em relação à postura que será adotada pelo governo federal na condução da política econômica. O analista destaca a questão de uma “âncora fiscal”, que está relacionada com a capacidade do governo de controlar as contas e cumprir seus compromissos. “Se o governo conseguir avançar com a proposta de reforma tributária, se for bem feita, pode contribuir nos próximos meses para aumentar a confiança e para a atividade econômica”, avalia.

Expectativa

Somando tudo, a expectativa para 2023 é positiva, mas não é ambiciosa. “Esperamos um crescimento econômico baixo para o Brasil como um todo. Tanto por causa do cenário internacional quanto por causa das incertezas na política nacional”, analisa.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por