
Em torno de 45% dos pequenos negócios em Minas Gerais solicitaram algum tipo de empréstimo bancário na pandemia de Coronavírus. Destes, mais da metade (59%) conseguiram o dinheiro. No caso de 38% desses, a dívida corresponde a até 30% dos custos mensais da empresa. Para outros 36%, o comprometimento abocanha até 50% das despesas. Em relação a situação dessas dívidas, 34% disseram estar em dia com o pagamento, mas 26% estão em atraso. Os dados são de levantamento realizado pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas junto a 553 micro e pequenas empresas (MPE) e microempreendedores individuais (MEI).
Conforme o estudo, no segmento de alimentação fora do lar, um dos mais afetados pela crise, a taxa de endividamento é ainda maior: 67% dos empresários do setor têm empréstimos em vigor. Destes, 82% aderiram ao Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) combinado ou não com outros financiamentos e 14% estão com parcelas atrasadas, sendo que 43% está há mais de 90 dias. “A recuperação do setor ainda não consegue apresentar uma melhora contínua, e o grande desafio nesse momento é equilibrar custos e endividamento”, diz Matheus Daniel, presidente da Abrasel-MG (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais).
Adélcio Coelho, dono do Boivindo, churrascaria inaugurada há 12 anos no Horto, na região Leste da capital, retrata bem a situação de milhares de negócios desafiados a pagar a dívida adquirida para sobreviver à pandemia. O empresário conseguiu empréstimos do Pronampe e do Fampe, fundo em parceria do Sebrae com a Caixa, no total de R$300 mil. “Só que a taxa de juros foi atrelada à Selic, que, quando peguei o dinheiro, estava em 2%, mas agora ela disparou para 11,75%”, relata. Segundo Adélcio, a parcela saiu de R$12 mil para quase R$17 mil. “É como se eu estivesse pagando dois aluguéis, mas para manter apenas um negócio”, resume.
Crédito
Estudo da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) aponta um crescimento de 94,7% do saldo da carteira de crédito destinado às micro e pequenas empresas (MPEs) entre os anos de 2020 e 2021. Segundo o estudo, o crédito destinado para as MPEs ganhou participação na carteira Pessoa Jurídica Total, saindo de 13,2% em 2019 para 19,7% em 2021. O desempenho do crédito para as empresas deste segmento registrou sua maior expansão em 2020 (+77%), quando as empresas buscaram, com maior intensidade, capital de giro e se beneficiaram dos programas governamentais. Em 2021, o crescimento foi de 10%.
Quando a análise inclui as médias empresas e o segmento passa a ser o das MPMEs (micro, pequenas e médias empresas), o crescimento atingiu 69,8% no acumulado entre 2020 e 2021. No fim de 2019, esta carteira representava 34,8% do total, e atingiu participação de 45,3% em setembro de 2021 (alta de 10,4 pontos percentuais).