
A Câmara de Dirigentes Logistas de Belo Horizonte (CDL/BH) divulgou nesta terça-feira (20) os dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da entidade, com um balanço da inadimplência na capital mineira. O índice registrou em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, uma alta de 4,11% no número de dívidas em atraso, o maior dos últimos quatro anos.
Em 2015, o comportamento das dívidas em atraso em Belo Horizonte era de 1,96%, 2,48 pontos percentuais a menos do que o apresentado neste ano. Em 2014, com o início da crise no Brasil, os números chegaram a 3,93% e, em 2013, apresentava -1,18%.
O número de consumidores inadimplentes também seguiu a mesma tendência de alta do indicador de dívidas em atraso, ao apresentar crescimento de 4,34% em agosto deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.
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Segundo a economista da CDL/BH, Ana Paula Bastos, o aumento da taxa de desemprego é o principal fator para o avanço do acúmulo das dívidas na capital. “Ao perder sua renda mensal, a capacidade do consumidor em quitar suas contas fica comprometida”, afirma. “Para aliviar o orçamento, muitas pessoas até têm apostado no compartilhamento das despesas com outros membros da família. Mas apesar da estratégia, é grande o número de belo-horizontinos que estão deixando de pagar suas contas”, completa.
A pesquisa também apontou que, em agosto deste ano, a maioria das dívidas em atraso (28,17%) correspondeu aos consumidores com idade superior a 65 anos. Na análise por gênero, os homens foram os responsáveis pelo maior crescimento (4,22%) no número de dívidas.
Já na análise da recuperação de crédito, o SPC da CDL/BH registrou uma queda de 1,03% no número de consumidores da capital mineira recuperando o crédito. Para Bastos, a população está sentindo os efeitos negativos da piora dos indicadores econômicos em seu custo de vida. “Com menor capacidade de pagamento, muitas pessoas têm focado seus recursos para a subsistência da família, deixando de quitar débitos antigos. Dessa forma, o pagamento das contas ficou comprometido, assim como a recuperação das pendências em atraso”, finaliza. Por outro lado, na comparação com o mês de julho deste ano, o índice de recuperação de crédito cresceu 1,02%.