Dólar atinge menor valor mais de em três meses; Bolsa tem leve baixa

Folhapress
Publicado em 02/10/2013 às 18:31.Atualizado em 20/11/2021 às 12:59.

SÃO PAULO- Depois de atravessar um dia instável, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou nessa quarta-feira (2) em leve baixa de 0,15%, a 53.100 pontos. Assim como no exterior, os investidores demonstraram preocupação em relação à ausência de debates sobre a paralisação do governo americano.

"O foco atual é o impasse nos EUA, já que 17 outubro é a data máxima para eles não darem calote. A probabilidade [de que o calote aconteça] é baixa, mas existe. Assusta o fato de eles terem deixado ocorrer a paralisação pela primeira vez em 17 anos, por isso até essa data os mercados devem continuar com volatilidade", diz Elad Revi, analista-chefe da Spinelli Corretora.

O impasse nos EUA alimentou apostas de que o banco central do país manterá seu programa de estímulo por mais tempo, o que adiaria uma restrição na oferta da moeda americana nos emergentes.

Isso fez com que o dólar comercial, usado no comércio exterior, fechasse em queda de 1,57% em relação ao real, para R$ 2,194 --menor valor desde 26 de junho deste ano, quando estava em R$ 2,189. Já o dólar à vista, referência no mercado financeiro, registrou baixa de 0,75%, a R$ 2,204.

Na última hora de negócios, a queda se intensificou ainda mais após o presidente do BC brasileiro, Alexandre Tombini, sugerir que o ciclo de aperto monetário poderia ser mais longo do que o esperado, o que atrairia mais dólares para o país, em entrevista à Bloomberg.

Ajudou ainda o fato de o Banco Central ter realizado pela manhã um leilão de swap cambial tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. A autoridade vendeu, ao todo, 10 mil contratos com vencimento em 3 fevereiro de 2014, por US$ 498,1 milhões. A operação estava prevista pelo plano da autoridade para conter a escalada do dólar.

 Ações
Liderando a ponta positiva do Ibovespa no dia, os papéis mais negociados da Oi tiveram ganho de 5,21%, a R$ 4,44, depois que a companhia e a Portugal Telecom assinaram memorando de entendimentos para a fusão das duas teles, que formarão um grupo multinacional chamado de CorpCo.

"Em suma, a Portugal Telecom entra com ativos avaliados em R$ 6,1 bilhões e a Oi necessita realizar oferta de ações no montante de cerca de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões, via emissão de ações, para realizar o aumento de capital. Atualmente o valor de mercado da Oi é de R$ 7 bilhões, logo a oferta de ações, caso o minoritário não acompanhe, terá seu percentual reduzido a metade de participação após a oferta", explica William Alves, analista-chefe da XP Investimentos, em relatório.

Mesmo vendo como bastante relevante o fato da eliminação de conflito entre Oi e os acionistas controladoras a respeito do uso de caixa da empresa, Alves acredita que a oferta de ações necessária para conclusão desta operação deverá pressionar as ações da Oi no curto prazo.
"Vale lembrar que todas as operações exigem a aprovação de organizações estatuais e que os termos podem mudar a fim de ganhar essa aprovação", acrescenta.
Do outro lado do Ibovespa, os papéis do grupo EBX, de Eike Batista, lideraram as perdas do índice.
As ações da petroleira OGX caíram 8,33%, a R$ 0,22, depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito da empresa, que decidiu não pagar juros remuneratórios no valor de cerca de US$ 45 milhões decorrentes de bônus emitidos no exterior. Outras empresas de Eike também caíram no dia, como MMX (-6,71%), LLX (-4,88%) e, fora do Ibovespa, OSX (-1,69%).
 

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