Dólar bate R$ 3,50 e exportadores brasileiros comemoram

Raul Mariano - Hoje em Dia
Publicado em 06/08/2015 às 06:37.Atualizado em 17/11/2021 às 01:14.
 (Wesley Rodrigues)
(Wesley Rodrigues)

A alta do dólar comercial, favorável às exportações da indústria brasileira, aumentou as expectativas do governo de recuperação da economia no segundo semestre. Nesta quarta-feira (5), no quinto dia consecutivo de elevação, a moeda chegou aos R$ 3,50, mas fechou a R$ 3,48. Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, o câmbio elevado é positivo e tende a se manter amigável ao exportador até o fim do ano.

Monteiro destacou que a elevação do dólar pode incentivar também a demanda interna, uma vez que os produtos importados se tornam mais caros e podem ser substituídos pelos nacionais. “Com isso, a indústria passa a ter mais espaço no mercado doméstico, que vem sendo, a cada ano, mais ocupado por importados da Ásia”, completou.

Em Minas, uma das grandes apostas da indústria é a diversificação da pauta de exportações, já que a queda no preço de commodities como o minério de ferro representou perda de US$ 3,5 bilhões no primeiro semestre do ano, frente ao mesmo período de 2014. “Nosso primeiro alvo é a América Latina e há grandes expectativas para os setores têxtil, calçadista e de alimentos”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Olavo Machado.

Resultados

Para especialistas, o cenário de alta do dólar é positivo por tornar o produto nacional mais barato para o comprador estrangeiro, mas os ganhos só serão reais se houver políticas complementares que garantam a competitividade para a indústria.

“É preciso um esforço de controle da inflação para que não haja aumento de custos. Sem isso, não haverá ganho real em competitividade. Além disso, é necessário estar atento ao comportamento da China, que é o destino principal das exportações”, explica o economista do Ibmec Reginaldo Nogueira.

Hoje, apesar de ser considerada a sétima maior economia do mundo, o Brasil ocupa 30ª colocação no ranking mundial de exportações de produtos manufaturados.

Metas

Um dos principais esforços estabelecidos no Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), lançado nesta quarta-feira (5) em Belo Horizonte, é adequar os produtos brasileiros às exigências de padronização americana.

Os Estados Unidos são o maior comprador de manufaturados brasileiros, o que gera anualmente uma média de US$ 20 bilhões. Atualmente, os setores cerâmico, de máquinas e equipamentos, refrigeração e luminárias já estão sendo adequados às normas americanas.

Para o próximo ano, o governo ainda terá como estratégia, dentro do bloco do Mercosul, estreitar relações com a União Europeia e também com os países da bacia do Pacífico. Para o ministro Armando Monteiro, o momento é propício para romper as barreiras existentes entre blocos econômicos.

O Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE) visa aumentar o número de empresas mineiras operando no comércio exterior. Mais de duas mil empresas deverão ser beneficiadas até 2016

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