Dólar recua e fecha a R$ 3,816 após intervenção do Banco Central

Folha Press
Publicado em 08/09/2015 às 19:58.Atualizado em 17/11/2021 às 01:41.
A atuação mais intensa do Banco Central no câmbio influenciou a queda do dólar nesta terça-feira (8), depois de a moeda americana ter subido mais de 7% na semana passada e ultrapassado R$ 3,85.
 
O dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, recuou 1,11%, para R$ 3,816 na venda. Já o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,71%, para R$ 3,809 na venda.
 
Diante da escalada recente do dólar, o BC realizou nesta terça-feira (8) um leilão de empréstimos de US$ 3 bilhões das reservas internacionais. Na segunda (7), o mercado esteve fechado por causa do feriado de Independência.
 
A instituição já vem atuando diariamente no mercado por meio da renegociação de contratos de câmbio (swap cambial) para suprir parte da demanda por moeda estrangeira. Mas isso não impediu que o dólar acumulasse alta de mais de 40% neste ano, até agora.
 
O novo empréstimo foi dividido em dois leilões que foram realizados entre 15h30 e 15h55 (de Brasília), nesta terça. O montante negociado na primeira operação ficou emprestado até 4 de novembro. Os negócios fechados na segunda etapa têm vencimento em 2 de dezembro.
 
Nessas datas, os dólares são recomprados pelo BC e voltam para as reservas, que estão atualmente em US$ 370,3 bilhões.
 
Segundo operadores, a presença mais atuante do BC no mercado é positiva, pois visa reduzir a volatilidade da moeda americana, embora não impeça sua valorização.
 
Na semana passada, da Nomura Securities e o banco americano JP Morgan elevaram suas projeções para o dólar, prevendo que a divisa encerrará o ano a R$ 4 e R$ 4,10, respectivamente. As projeções anteriores eram de R$ 3,40 e R$ 3,55.
 
Os juros futuros acompanharam o alívio do dólar e fecharam em queda -ainda que ainda estejam em patamares considerados bastante elevados, compatíveis com um cenário de muitas incertezas.
 
O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2017 fechou em 14,86%, ante 15,04% no fechamento da sexta-feira. Já o DI para janeiro de 2021 teve taxa de 14,80%, ante 15,01% na sessão anterior.
 
FISCAL
 
"A queda dos juros reflete uma perspectiva um pouco mais otimista dos investidores após declarações do ministro da Fazenda [Joaquim Levy] no final de semana sobre preservar a meta de superavit fiscal de 0,7% do PIB em 2016", disse Julio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filho.
 
"O desafio é grande, mas o Levy sabe que aceitar um deficit para o próximo ano é jogar a toalha e ele não parece querer isso. Tem se falado muito na criação de impostos temporários para reforçar a arrecadação. Quem sabe isso pode ajudar o governo a melhorar o quadro fiscal do país", afirmou. "Mas tem que se falar mais em novos cortes de despesas públicas também."
 
No geral, a preocupação com as contas públicas brasileiras deve continuar pressionando o dólar para cima e a Bolsa para baixo, segundo analistas. O ministro da Fazenda afirmou à Folha de S.Paulo ser difícil haver queda de juros e de inflação no começo de 2016 no Brasil caso os entraves fiscais não sejam corrigidos imediatamente.
 
NO AZUL
 
Na Bolsa, o principal índice de ações da BM&FBovespa fechou no azul, acompanhando o bom humor nos mercados acionários internacionais.
 
O Ibovespa subiu 0,57%, para 46.762 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,319 bilhões. No exterior, os índices de Nova York ganharam mais de 2%, enquanto as Bolsas europeias tiveram valorizações superiores a 1%.
 
Há expectativas de que, após fraca leitura dos mais recentes dados sobre o comércio exterior da China, o BC chinês injete mais estímulos para a recuperação da segunda maior economia do mundo -e principal parceiro comercial do Brasil. Por este motivo, os preços das commodities subiram, empurrando para cima as ações de grandes produtores de matérias-primas.
 
"O ambiente de maior apetite ao risco no mundo, por causa da China, ajudou o Ibovespa na sessão. Nesse cenário, os mercados emergentes, que proporcionam risco maior, acabam se beneficiando", disse Leonardo Bardese, estrategista da BGC Liquidez.
 
"Apesar da alta de hoje, [o Ibovespa] continua em tendência de queda. O ambiente político e econômico está muito complicado. As contas públicas estão desequilibradas e o governo não consegue chegar a um ajuste fiscal efetivo", disse Hegedus, da Lopes Filho.
 
AÇÕES
 
O dia marcou a estreia da nova carteira teórica do Ibovespa que irá vigorar até 30 de dezembro e que traz entre as novidades os papéis de Raia Drogasil e Equatorial Energia. Ambos subiram ao longo do dia, mas fecharam com sinais opostos: o primeiro teve ganho de 1,49%, para R$ 38,88, enquanto o segundo terminou com desvalorização de 0,67%, a R$ 32,48.
 
As ações preferenciais (mais negociadas e sem direito a voto) de Petrobras e Vale ajudaram a sustentar o ganho do Ibovespa, com altas de 1,53% e 4,28%, nesta ordem. O mesmo ocorreu com os papéis do setor bancário, segmento com maior peso dentro do índice, com Itaú e Bradesco ganhando mais de 1%.
 
Quem liderou a ponta positiva do Ibovespa foi a ação preferencial da Usiminas, com ganho de 7,80%, a R$ 3,73. Também no setor siderúrgico, a CSN subiu 5,71%, enquanto a Gerdau teve valorização de 3,29%. O movimento se deu após a Gerdau ter anunciado aos clientes reajuste de 15% nos preços de aços longos, segundo reportagem da "Agência Estado".
 
Em sentido oposto, as ações da concessionária CCR lideraram as perdas do Ibovespa, com queda de 6,76%, para R$ 13,10 cada uma. No mesmo setor, os papéis da EcoRodovias registraram perda de 0,78%, a R$ 6,34. Uma decisão da Justiça antecipou o fim da concessão do sistema Anhanguera-Bandeirantes para 2018 e o governo Geraldo Alckmin (PSDB) cogita uma nova licitação que pode baixar o valor do pedágio.
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