Economistas avaliam que não há ambiente para retomada no curto prazo

Raul Mariano - Hoje em Dia
Publicado em 09/03/2015 às 07:34.Atualizado em 18/11/2021 às 06:16.
 (Editoria de Arte)
(Editoria de Arte)

A sucessão de medidas de austeridade tomadas desde a posse de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda e a piora continuada dos indicadores de desempenho econômico são, para muitos especialistas, prenúncio de que o país caminha para um estágio de amarga recessão.

Os juros estão no maior patamar desde 2009 sem conseguir conter a inflação, que pode extrapolar o teto da meta neste ano. As pressões sobre os preços dos combustíveis e da energia elétrica projetam reajustes de até 40% durante o ano. Tudo isso em um momento de adversidades climáticas que comprometem os reservatórios de água e colocam em risco a geração de energia do país e a produção industrial.

O panorama se torna mais preocupante com a projeção de queda do Produto Interno Bruto (PIB), o que evidencia que a capacidade de consumo chegou ao limite e que o empresariado não sente segurança para investir.

O professor do Ibmec Minas, Eduardo Coutinho, explica que o conjunto de más notícias, entre elas o aumento da semana passada de meio ponto percentual na taxa Selic, que foi aos 12,75%, derruba o ânimo de consumidores e empresários e deteriora o ambiente de negócios no país.

“Essa alta de juros gera dois impactos principais. Primeiro, faz com que as pessoas tomem menos dinheiro emprestado, o que reflete em menos consumo. Depois, leva quem gasta menos do que recebe a guardar a sobra de dinheiro. Isso reduz o nível de atividade econômica”, diz.

Ajuste fiscal

A incapacidade do governo de promover uma reação a esse cenário vem do desequilíbrio das contas públicas. Com uma necessidade de ajuste fiscal de cerca de R$ 80 bilhões até o fim do ano, o financiamento da dívida pública obriga o governo a tomar as atuais medidas de aumento de impostos, conforme explica o doutor em economia e consultor de Educação Financeira, Fernando Agra. Mas ele ressalta o perigo dessa política, já que o aumento de impostos é também um freio para a economia, que ao desacelerar reduz a arrecadação, gerando um círculo vicioso.

Segundo ele, o déficit acaba sendo pago com “nova dívida pública, que só aumenta. Hoje o governo paga por ano quase R$ 300 bilhões de juros. Infelizmente, os cortes para redução de gastos acabam acontecendo nas áreas da educação, seguridade e saúde”, diz.

Equilíbrio

No entanto, as medidas recentes para equalizar as contas públicas são consideradas inevitáveis para muitos economistas, e seriam feitas independentemente do resultado das eleições presidenciais.

O aumento de tributos sobre operações de crédito, automóveis, gasolina, diesel e folha de pagamentos, além de restrição no abono salarial e seguro-desemprego são sacrifícios feitos para que haja recuperação da credibilidade da política fiscal, base para a retomada futura do crescimento.

O presidente da Associação dos Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais de Minas Gerais (Apimec), Juliano Pinheiro, explica que “hoje a dificuldade está mais no plano da credibilidade do que no plano macroeconômico. Isso traz insegurança para investidores e, quando não há investimento, não há crescimento econômico”.
 

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