A conta de luz mais cara indignou empresários. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior, disse que o setor está alarmado com o aumento do preço da energia, essencial para a atividade, e ressaltou que a elevação incidirá sobre as tarifas que estão entre as mais altas do mundo.
“Isso é resultado da farra das térmicas. Mas o uso dessa energia mais cara só foi necessário porque faltou ao governo Federal competência de gestão da água e da eletricidade, onerando o país como um todo”, criticou Machado.
Segundo Olavo, o sentimento é de “indignação”, já que essa é apenas mais uma despesa extra que pesará sobre os ombros dos empresários e da população. “O governo sobe o preço da energia, eleva impostos e promove um aumento nos custos das empresas. Porém, da parte dele, não se nota nenhum sacrifício ou corte de gastos. E quem paga o preço são os cidadãos e a iniciativa privada, que já não aguentam mais”, reclama.
Para ele, a alta da conta de energia prejudica ainda mais a indústria, que deve fechar 2015 com queda de produção, faturamento e redução de empregos. Em alguns setores, lamenta Olavo, a atividade registrará quedas similares às observadas na crise financeira internacional de 2009.
Comércio
Na opinião do vice-presidente de Regiões Comerciais e Shopping Centers da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marco Antônio Mendonça Gaspar, a escalada no preço da luz é resultado de uma medida eleitoreira tomada pela presidente Dilma Rousseff, que para “ficar bem na fita” reduziu os valores e não pensou em poupar.
“Deram desconto numa época de pouca chuva e com todo mundo comprando equipamentos eletrônicos. O governo não se preocupou em fazer uma poupança ou economizar. Agora, tem que apelar para as térmicas. E o brasileiro paga o pato”, queixou-se.
Racionamento
Além de amargar o aumento da conta de luz, os consumidores ainda vislumbram o fantasma da restrição de consumo da energia provocada pelo baixo nível dos reservatórios. Um racionamento de 10% no grupo “energia, água e gás” fará a economia brasileira encolher pelo menos 0,6% em 2015. Isso representa uma perda de R$ 28,8 bilhões no Produto Interno Bruto, mostra estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).