
O tempo de permanência do brasileiro em uma mesma empresa aumentou nos últimos anos, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril de 2011 a média nacional era de 151,3 semanas (quase três anos) em uma mesma vaga. Em 2014 ela saltou para 163,1 semanas (cerca de três anos e um mês).
Em Belo Horizonte, a parcela de funcionários que se mantém no mesmo local de trabalho saltou 7,5% em dois anos. Em abril, ela representava 65,9% do total, enquanto no mesmo período de 2012 eram 61,3%.
Segundo especialistas, dois fatores justificam esse movimento: as estratégias adotadas pelas empresas para reter a mão de obra qualificada e a preocupação do empregado em qualificar-se para conquistar o emprego pretendido – e não sair dele. Somado a isso, estão questões de mercado.
“As empresas estão muito mais voltadas para os funcionários do que estavam até alguns anos atrás. Hoje, elas entenderam que é importante fazer com que o empregado queira ficar. Acho que a arrogância corporativa diminuiu um pouco”, afirma o diretor-executivo de Recursos Humanos do Grupo Empreza, Adriano Araújo.
Dois lados
Segundo ele, a proposta, atualmente, é oferecer flexibilidade e fazer com que o profissional se identifique com a cultura organizacional. “Quando isso acontece e a pessoa recebe outra proposta, ela avalia se vale mesmo a pena deixar benefícios para trás, como o home office (trabalho em casa), que vem sendo mais difundido, recentemente”.
Insegurança
Do lado do funcionário, a disposição em manter-se na mesma companhia tem duas vertentes: o cenário econômico incerto e a consequente dificuldade de encontrar emprego, e o constrangimento de ser visto como um profissional volátil.
“Como as pessoas não têm visto uma busca agressiva do mercado, elas também desaceleram a procura por outros empregos. Além disso, aquelas que pulavam demais de galho em galho passaram a não ser bem vistas. Isso não é uma repreensão, mas uma orientação que, finalmente, elas passaram a ouvir”, diz o consultor organizacional e diretor-presidente da RHUMO Consultoria, Sérgio Campos.
Jovens dão menos importância à carreira
Antigamente, construir uma carreira em uma única empresa era uma prática comum entre profissionais de diversas áreas. Já nos últimos anos, principalmente entre os jovens, ocupar vagas diferentes a cada dois anos tornou-se uma prática comum.
Na avaliação do diretor-executivo de Recursos Humanos do Grupo Empreza, Adriano Araújo, existem prós e contras nos dois casos que precisam ser consideradas.
“Ficar muito tempo no mesmo local, estagnado na mesma área, com as mesmas ferramentas, sem novos desafios, não é interessante. Mas trabalhar mais tempo em uma empresa com projetos diferentes, novas culturas e regiões, criando paradigmas, é positivo. Nós podemos ter muitas carreiras dentro de uma empresa só”, diz Araújo.
Risco
Por outro lado, os profissionais inquietos tendem a ganhar com a experiência a e vivência de estilos diferentes de trabalho e de técnicas variadas. Mas, para o representante do Grupo Empreza, pode ser complicado conseguir estabilidade quando se passa a ideia de inconstância.
“A mudança em excesso torna o prazo do profissional curto. Nesse caso, a empresa considera que não poderá contar com ele, porque sabe que daqui a dois ou três anos ele irá embora. Ela olha para trás, avalia o comportamento passado, e tem uma sugestão do comportamento futuro”.
O ideal, segundo Araújo, é buscar o equilíbrio e a qualificação constante para atender à demanda do mercado. “Se a gente para de afiar o machado, ele perde o corte e deixa de ser eficaz”.
Faixa de 25 a 49 anos é predominante
Em Belo Horizonte, a faixa etária da maior parte dos trabalhadores é de 25 a 49 anos (61,8%). Na sequência, aparecem os profissionais com mais de 50 anos (22,2%), de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego, feita pelo IBGE.
do entre as seis capitais avaliadas pelo estudo (60,4%).