
O britânico-americano Angus Deaton, de 69 anos, foi premiado nesta segunda-feira (12) com o Nobel de Economia por seus estudos sobre consumo e pobreza, anunciou o comitê Nobel em Estocolmo.
"Para elaborar políticas econômicas que promovam o bem-estar e reduzam a pobreza, devemos entender em primeiro lugar as opções individuais de consumo. Angus Deaton, mais do que ninguém, melhorou esta compreensão", explicou a Real Academia Sueca de Ciências.
As pesquisas de Deaton, "ao colocar em evidência a relação entre as opções individuais e seus efeitos no conjunto da economia, contribuíram para transformar a macroeconomia, a microeconomia e a economia do desenvolvimento", acrescentou o júri dos Nobel.
Deaton, professor desde 1993 da Universidade de Princeton (Nova Jersey, Estados Unidos), foi premiado por três grandes contribuições.
Nos anos 80, elaborou junto ao seu colega John Muellbauer o conceito "de sistema quase ideal de demanda" (AIDS, em inglês), que estudava o comportamento dos consumidores.
Nos anos 90, estudou o vínculo entre consumo e renda. E posteriormente mediu os padrões de vida e pobreza em países em desenvolvimento, através de uma metodologia de pesquisas em lares.
O Nobel de Economia tem uma recompensa de 8 milhões de coroas suecas (860.000 euros, 950.000 dólares).
No ano passado o prêmio foi concedido ao economista francês Jean Tirole por suas análises sobre as grandes empresas e os mecanismos do mercado.
Nobel de Economia pede maior atuação do Estado para garantir desenvolvimento
Joseph Stiglitz fez um chamado para que as regras do mercado sejam reescritas, com maior participação do Estado na economia, para canalizar a poupança financeira para o desenvolvimento sustentável, entre outras propostas. Ele participou de seminário durante a reunião anual do Fundo Monetário Internacional, em Lima, Peru.
Segundo o economista, o desenvolvimento dos países e a redução da desigualdade requerem um forte papel do Estado, tanto nos países avançados como em desenvolvimento. Ele defendeu o aumento de impostos como medida para financiar bens e serviços públicos.
"Embora em muitos países aumentar impostos seja expressão proibida, creio que se deveria aumentar impostos nos Estados Unidos. Ninguém gosta de pagá-los, mas se a população quer investimentos em infraestrutura, tecnologia e demais bens comuns, eles devem ser aumentados", disse Stiglitz.
O economista sugeriu a criação de outros marcos econômicos legais para que os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento consigam obter mais dinheiro pela exploração de recursos naturais. "Alguns países da África recebem só uma fração desses
recursos", criticou.
O Prêmio Nobel fez ainda um chamado para que o setor público atue para canalizar a poupança financeira para o setor produtivo. "Há muitíssima poupança.
O problema é que o setor privado financeiro tem uma visão curta. Nunca investe no longo prazo, não investe nas pessoas", declarou. "Temos que mudar a maneira com que se maneja a economia nos Estados Unidos, não só para que se aumente a poupança, mas para que a empreguem de maneira mais produtiva."
Para Stiglitz, a desigualdade está relacionada ao modo com que a economia e a sociedade são estruturadas. Para reduzi-la, disse, as regras do jogo têm de mudar. Ele criticou ainda as políticas de ajuste empreendidas por países como Grécia e Espanha, que, segundo ele, escolheram um modelo que destrói o emprego, principalmente entre os mais jovens. "As políticas de ajuste impostas a esses países resultaram nesses níveis de desigualdade", afirmou.
Na avaliação do economista, as reformas mais eficientes para diminuir a desigualdade dependerão da etapa de desenvolvimento de cada país. "No marco geral, temos de reescrever as regras do mercado que guiam as decisões políticas e econômicas", disse o Nobel. Stiglitz defendeu que os empregados participem nas decisões chave das empresas, onde as mulheres tenham um papel igualitário e as condições trabalhistas sejam melhoradas, como condições adequadas de transporte para o trabalho.
* Com agências