Estabilidade energética depende de mais térmicas na matriz

Bruno Porto - Hoje em Dia
Publicado em 17/03/2014 às 07:36.Atualizado em 20/11/2021 às 16:40.
 (Cemig)
(Cemig)
Se, no curto prazo, o que resta ao país é aguardar pelas chuvas para evitar o racionamento de energia, a solução de médio e longo prazo para garantir maior segurança ao sistema elétrico passa pela construção de mais usinas térmicas. Essa é a conclusão do presidente da Associação das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva, que esteve em Belo Horizonte na semana passada, onde apresentou o painel “A Situação Energética do Sistema Interligado Brasileiro”, em evento da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-MG).
 
“Não tem escapatória.Quem for contra quer a gente no escuro”, afirmou. Neiva defende o maior investimento em termelétricas e hidrelétricas, e minimiza a capacidade de outras fontes de responderem em casos de maior necessidade.
 
Mudança 
 
“Temos que parar de olhar para as térmicas como um tipo de energia que serve para ajudar quando as hidrelétricas não dão conta. Nem minha mulher gosta de termelétricas, mas esse pensamento tem que mudar”, afirma.
 
Segundo ele, o aumento médio do consumo de 4,2% ao ano, nos próximos 10 anos, vai exigir um acréscimo de oferta de 5.500 megawatts (MW) por ano ao sistema. 
 
Essa oferta, para Neiva, virá majoritariamente de novas usinas térmicas, sejam movidas a gás ou carvão. Aquelas que produzem energia a partir do óleo combustível seriam demasiadamente caras. As fontes alternativas, como eólica, solar e biomassa, deverão ter participação marginal. 
 
“Quem responde de imediato quando precisa de energia é termelétrica. A solar é cara e só funciona durante o dia, a eólica depende do vento, e a biomassa só tem produção de janeiro a junho. Já as hidrelétricas enfrentam muita resistência ambiental”, diz Neiva.
 
Gás e Carvão
 
Ele explica que para viabilizar o desenvolvimento do parque de usinas térmicas do país é necessário, antes, aumentar a oferta de gás e carvão no Brasil. 
 
“Ouvi, finalmente, do ministro (Edison Lobão, de Minas e Energia) que o futuro são as térmicas, que o mundo desenvolvido todo usa térmica em 80% da matriz. Aqui, é 18% e a gente acha caro”, afirma. Hoje, 44% do gás natural produzido no país é destinado ao setor elétrico.
 
Racionamento
 
Sobre o iminente risco de racionamento de energia elétrica no país, Neiva considera que a situação não tem culpados. 
 
“É o pior primeiro bimestre da história em termos de vazão, e o sistema elétrico estará sempre vulnerável a isso. A diferença é que, quando falta energia no Canadá, eles importam dos Estados Unidos. Nós não temos vizinhos com produção suficiente para nos vender”, afirma. 
 
Em fevereiro de 2014, o consumo de 69.098 MW médios foi 10% superior ao do mesmo mês do ano passado. Para ele, ao final de abril, com o término do período chuvoso, se os reservatórios das hidrelétricas não atingirem 42%, o governo não terá saída.  Até a última sexta-feira (14), os dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) apontavam para um nível de 35% de preenchimento dos reservatórios.
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