Estímulo a compra de veículos não surte efeito desejado em Minas

Bruno Moreno - Hoje em Dia
Publicado em 26/08/2014 às 08:37.Atualizado em 18/11/2021 às 03:56.
 (Ricardo Bastos)
(Ricardo Bastos)
As medidas anunciadas pelo Banco Central no final do mês passado, para aumentar o crédito e facilitar o financiamento de veículos, ainda não surtiram efeito significativo nas vendas de carros novos nas concessionárias em Minas Gerais. Um dos principais motivos, segundo as concessionárias, são as restrições impostas pelos bancos aos empréstimos. 
 
De acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), no primeiro semestre deste ano o saldo de crédito para aquisição de veículos novos por pessoas físicas e jurídicas correspondeu a 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) contra 5,1% no mesmo período do ano anterior. Isso corresponde a um decréscimo de 0,8 pontos percentuais.
 
Nesta terça-feira (26) o Banco Central deverá divulgar os números de crédito relativos a julho, mas este balanço ainda não mostrará o reflexo do aumento de crédito, já que o anúncio foi feito no dia 25 de julho.
 
 
Queda de aprovação
 
Na concessionária Grande Minas da Pampulha, em Belo Horizonte, que comercializa veículos da Chevrolet, o índice de cadastros recusados pelos operadores financeiros aumentou em 100%. Até dezembro de 2013, de cada dez solicitações de crédito, duas eram recusadas. Agora, de acordo com o gerente de financiamento da loja, Tiago Henrique, a cada dez, quatro não são aceitas pelos operadores de crédito. 
 
“Os banco estão muito criteriosos. Mesmo aquele cliente que não tem pendência nem nada, tem sido barrado”, revela.
 
De acordo com o gerente, o que tem segurado as vendas na concessionária são ações de marketing da montadora e financiamento próprio.
 
Já o presidente do Sincodiv-MG (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Minas Gerais), Mauro Pinto de Moraes Filho, lamenta que os bancos não estejam muito interessados em financiar veículos.
 
“Quando é para baixar, demora muito. Mas não é só isso, é um conjunto de fatores. No passado recente, os bancos perderam muito dinheiro com financiamentos. Além disso, a inflação também influencia”, avalia.
 
Aumento de pedidos
 
Na concessionária Tecar do bairro Sion, que comercializa a marca Fiat, as vendas com financiamento não apresentaram variação significativa, de acordo com o gerente de vendas de carros novos, Wesley Henriques de Souza.
 
Entretanto, na filial do Anel Rodoviário, ele afirma que o fluxo de vendas de veículos financiados tem aumentado. “A procura está maior, mas ainda não vimos o reflexo disso. Mas houve aumento de 10% no número de pedidos de financiamento. Acredito que o mês de agosto vai ser melhor”, afirma.
 
Segundo Souza, o prazo atualmente não passam de 42 meses, em média, principalmente por causa do baixo risco. Em 2013 e 2012, era possível comprar carro pagando em até 72 meses, com uma pequena entrada.
 
Apesar do cenário, todos os três são unânimes em afirmar que a tendência é que o segundo semestre de 2014 seja melhor que o primeiro.
Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por