ECONOMIA

Fiemg projeta 'pé no freio' da economia pra fechar o ano

Presidente da entidade mineira, Flavio Roscoe, culpa "política contracionista" e estratégia "claramente retrógrada" do governo federal

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 18/12/2025 às 17:15.Atualizado em 18/12/2025 às 17:23.
Presidente da Fiemg, Flávio Roscoe aposta em recuperação gradual da economia em 2026 (Fiemg/Divulgação)
Presidente da Fiemg, Flávio Roscoe aposta em recuperação gradual da economia em 2026 (Fiemg/Divulgação)

A economia mineira deve encerrar o ano com crescimento de 2%, resultado inferior ao registrado no ano passado (3,1%). Culpa, segundo o presidente da Fiemg, a federação das indústrias de Minas, de uma ‘política monetária contracionista’ do governo federal. Em nível Brasil, a projeção também é de desaceleração.

Sondado para entrar na disputa eleitoral do ano que vem, em possível composição de chapa como vice-governador, Flávio Roscoe avaliou que o arrefecimento reflete também o "esgotamento” de uma estratégia de crescimento “claramente retrógrada”, apoiada em aumentos de gastos públicos e em “políticas de transferência de renda com foco predominantemente no consumo".

Na avaliação do empresário, o Brasil está no limiar entre dois caminhos. "De um lado, a possibilidade de avançar em uma modernização estrutural da economia, capaz de sustentar o desenvolvimento econômico e social. De outro, o risco de permanecer em um cenário de baixo crescimento e de bem-estar limitado". 

Aposta em recuperação gradual

"Para 2026, o crescimento da atividade econômica tende a permanecer moderado, limitado pela manutenção de juros elevados e pelo ambiente de maior risco fiscal. A expectativa é de recuperação gradual da indústria ao longo do período, condicionada à eventual redução da taxa de juros e à retomada dos investimentos produtivos", destaca Flávio Roscoe.

Questionado sobre as eleições do ano que vem durante apresentação de balanço anual da entidade, o presidente da Fiemg disse que há “prós e contras”, mas admitiu que pensa no assunto. Para concorrer a um cargo eletivo em 2026, Flávio Roscoe precisa abrir mão do comando da Fiemg antes de junho. O mandato dele termina em dezembro.

Durante o evento desta quinta, na sede da Fiemg, Roscoe disse que a participação na política é uma missão da classe empresarial. “É difícil negar completamente (a participação)”, ponderou. 

Indústria e trabalho

O estudo da Fiemg revela também que o PIB industrial em Minas Gerais deve apresentar um crescimento de 1,6% em 2025, refletindo os efeitos da política monetária. O setor de transformação foi um dos destaques até o segundo trimestre deste ano, com alta de 2,2%, seguido pelo de energia e saneamento (1,3%). Em relação ao setor produtivo nacional, a Federação estima uma alta do PIB de 1,5% em 2025.

O mercado de trabalho seguiu aquecido em 2025, consolidando a recuperação pós-pandemia e estabelecendo novos recordes. No Brasil, a taxa de desemprego foi de 5,6% no 3º trimestre, o menor nível para o período desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

Em Minas, o desemprego recuou de 5,7% no 1º trimestre do ano para 4,1% no 3º trimestre, o que mantém o estado em posição mais favorável, na comparação com a média nacional. Somente a indústria (geral e construção) empregou 20,8 milhões de trabalhadores no Brasil e 2,4 mi no Estado até o terceiro trimestre de 2025. Para este ano, a Fiemg estima que a taxa de desempregados fique em 5,4% no país.

Já o IPCA, que é o índice oficial de inflação do Brasil, deve fechar 2025 no patamar de 4,4%.

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