
O mercado financeiro é traiçoeiro e esconde uma série de armadilhas, mas os riscos podem ser minimizados e o sucesso potencializado caso alguns procedimentos básicos sejam respeitados. O desconhecimento do produto, a confiança em demasia e o foco no curto prazo são exemplos de erros crassos nos quais investidores incorrem com uma incrível frequência e que os fazem perder milhões todos os anos. Evitá-los é uma regra básica para quem quer fazer do mercado financeiro fonte de poupança, e não uma roleta de apostas.
De acordo com o professor de Economia do Centro Universitário Newton Paiva, Cleyton Izidoro, não dá para brincar quando o verbo em questão é “investir”. “O mercado não aceita amadores e o dinheiro não aceita desaforo”, afirma.
Segundo ele, culturalmente, o brasileiro investe pouco em mercados de renda variável, considerados mais complexos. Para a maioria da população, aplicar na caderneta de poupança – ainda que o rendimento seja menor – é a opção mais segura. Em função desse comportamento, a falta de informação acaba implicando em mais riscos.
Confusão
“O principal erro é ignorar o tempo que o dinheiro tem que ficar aplicado. Aí, a pessoa acaba levando um susto, porque quando precisa do rendimento, não consegue pôr as mãos nele”, diz Izidoro.
A partir dessa e de outras observações, a rede social Investmania, voltada para formação de investidores, elencou os sete principais erros cometidos na hora de investir. “Temos uma equipe de monitoramento que acompanha as conversas dos usuários e percebemos que muitas coisas acontecem em função de erros básicos”, afirma a coordenadora da plataforma, Aline Rabelo.
Para evitar ciladas, muitas vezes provocadas por força do hábito ou mesmo traços de personalidade, Aline recomenda atenção. “É preciso avaliar a situação antes e procurar por produtos que mais se adequem ao seu perfil”. l
Para ganhar, é preciso estar familiarizado com o mercado
A falta de familiaridade com o mercado financeiro pode acarretar consequências de longa duração. De acordo com a coordenadora da Investmania, Aline Rabelo, até hoje alguns investidores amargam os prejuízos que tiveram com a crise econômica mundial de 2008.
“O que vimos, em 2007, foi muita gente ganhando dinheiro, mas, no ano seguinte, veio a crise. Muitas pessoas iniciaram investimentos sem conhecer o mecanismo e não estavam preparadas para o que veio em seguida”, diz.
Para ela, parte da explicação está na carência de educação financeira do brasileiro, pouco acostumado a apostar em boas e variadas oportunidades. “Acho que a lista (dos erros mais comuns, veja ao lado) não é formada simplesmente por esse problema na base, mas, obviamente, ele tem grande responsabilidade”.
Monitoramento
De acordo com o professor de Economia do Centro Universitário Newton Paiva Cleyton Izidoro, os investidores precisam estar cientes da importância de manterem-se informados sobre os principais acontecimentos econômicos e políticos do mundo, porque eles podem interferir no mercado.
“Além disso, é fundamental acompanhar os resultados da empresa, que são obrigadas a divulgá-los quando possuem ação em bolsa”, afirma Izidoro.
Segundo ele, é importante, também, evitar o senso comum e acreditar que grandes corporações estão isentas de problemas financeiros.
“Muitas pessoas apostaram em grandes projetos empresariais, mas acabaram perdendo tudo em função do excesso de confiança”.