Ganho de mercado do aço importado será mantido

Bruno Porto - Do Hoje em Dia
Publicado em 26/11/2012 às 09:51.Atualizado em 21/11/2021 às 18:37.
 (ANDRE BRANT)
(ANDRE BRANT)

As importações de aço, que hoje respondem por cerca de 15% das vendas no mercado interno, “nunca mais voltarão aos patamares históricos”, disse o vice-presidente de Finanças da Usiminas, Ronald Seckelmann. Historicamente, a taxa de penetração do aço estrangeiro oscilava entre 6% e 7%, mas aumentou sua participação a partir da crise, em 2009, quando o setor siderúrgico começou a sentir os efeitos de um excesso de oferta de aço de 500 milhões de toneladas no mundo.

A partir de 2013 entra em vigência a MP que unifica em 4% a alíquota interestadual de ICMS. O objetivo é colocar fim à chamada guerra dos portos, que concedia benefício fiscal para a entrada de material importado. “A medida é importante e vai ajudar, mas existe um excesso de capacidade e de produção de aço no mundo muito grande. Esse estoque será direcionado para o Brasil, porque é um mercado que cresce pouco, mas não tem queda, como na europa”, disse. Como as sobras de aço não devem ser zeradas no curto ou mesmo médio prazos, ele acredita que até lá os importados serão “um novo jogador no mercado”.

O vice-presidente de Finanças da Usiminas participou na semana passada de encontro com investidores promovido pela Associação dos Analistas e profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em Minas Gerais (Apimec-MG).

A entrada do aço estrangeiro somada à fraca demanda interna também dificulta o aumento de produção na Usiminas. Segundo Seckelmann, a Usiminas opera hoje com um percentual próximo de 80% de sua capacidade instalada, de 9,5 milhões de toneladas de aço bruto ao ano e 7,3 milhões de toneladas de produtos acabados anualmente. “Somente em dois anos devemos ultrapassar o percentual de 90% da capacidade”, afirmou.
 

Market-Share

Entre 2008 e 2009 a Usiminas abafou um de seus altos-fornos e operou apenas com a metade de sua capacidade. Quando houve uma retomada da demanda, a empresa não tinha produtos para ofertar e perdeu participação de mercado em vários segmentos, mas sobretudo no automotivo, tradicional cliente da siderúrgica mineira.

“Isso não vai se repetir, estamos preparados para qualquer avanço da demanda. Temos equipamentos em stand-by que poderão operar assim que as encomendas justificarem a produção”, observou. Ele assegurou que a Usiminas recuperou todo seu market-share perdido no período da crise e que hoje a participação das vendas da companhia no setor automotivo é de 50%.

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