
A possibilidade de anúncio de uma parceria-público-privada (PPP) para os aeroportos Tancredo Neves (Confins) e Tom Jobim (Galeão), como tem sido ventilado por fontes ligadas ao governo federal, animou representantes dos governos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
Especialistas em administração, no entanto, divergem sobre a eficácia do modelo, que estaria em discussão no Planalto. A previsão é de que os aeroportos integrem a nova rodada de leilões do governo, ainda sem data marcada.
Ao contrário da concessão, em que o governo cede a utilização do empreendimento mediante uma contrapartida financeira, a parceria-público-privada é realizada de forma compartilhada. No caso de Confins, seria ideal que a parceria, caso confirmada, fosse compartilhada entre o governo do Estado, a União e uma empresa com know how no segmento, segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico de Minas, Dorothea Werneck. “Mas qualquer forma de leilão seria ótima. O importante é o resultado”, disse a secretária, referindo-se à possibilidade de que Confins seja alvo de uma concessão ou uma PPP.
Rio de Janeiro
Durante cumprimento de agenda na última quinta-feira, no Palácio da Guanabara, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, classificou como “música para os ouvidos” a possibilidade de uma empresa privada com conhecimento em gestão aeroportuária ser uma das gerentes do Galeão. Ainda de acordo com ele, o aeroporto precisa ser tratado como um shopping de serviços.
“Aquele momento em que você fica três, quatro horas esperando, é a hora em que você tem que ter serviço, tudo tem que funcionar. E tem grandes operadoras no mundo, operando grandes aeroportos, que podem visitar o Rio e que terão todo o desejo em operar o Galeão”, disse. Sobre a possibilidade de uma empresa estrangeira operar Confins, Dorothea Werneck também não se opôs.
Na avaliação do administrador e professor da PUC Minas e do IBMEC Marco Antônio Machado, a PPP é a melhor opção para administrar o aeroporto. Para isso, no entanto, é necessário que as parcerias sejam feitas em condições transparentes. “As PPPs firmadas para as rodovias têm dado bons resultados”, disse.
Contraponto
A concessão plena é o melhor modelo, de acordo com o professor de logística da Fundação Getúlio Vargas (FGV), José Ferreira dos Santos. Na avaliação do especialista, falta à Infraero, que seria a representante do poder público no contrato, competência na gestão.
“Se a PPP for escolhida, o ideal é que a participação da empresa privada seja maior do que a do governo, para que a Infraero não fique à frente da administração”, disse. A Secretaria de Aviação Civil (SAC) nega que as PPPs estejam em discussão como modelo a ser adotado. O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, só irá se pronunciar se a possibilidade for formalizada. (Com agências)
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