Grandes empresas chegam a valer quatro vezes menos do que em 2007

Tatiana Moraes - Hoje em Dia
Publicado em 03/08/2015 às 06:31.Atualizado em 17/11/2021 às 01:11.
 (Cemig)
(Cemig)

As crises internacionais, políticas, administrativas, éticas e econômicas enfrentadas pelo Brasil tiraram bilhões do valor das principais empresas do país. Petrobras, Vale e Usiminas, por exemplo, valem hoje menos do que em 2007.

Alvo do maior escândalo de corrupção do país, a Petrobras tinha um valor de mercado de R$ 123,6 bilhões no dia 2 de janeiro de 2007, primeiro dia útil do segundo governo de Lula. Quase o dobro dos R$ 63,1 bilhões que a companhia valia na mesma data de 2015, quando Dilma Rousseff assumiu para seu segundo mandato.

Se comparamos os valores de mercado de cinco grandes empresas listadas na bolsa (veja infografia) na data de posse dos últimos seis mandatos presidenciais, é possível ver que o derretimento das ações se dá basicamente no primeiro governo Dilma, quando a segunda onda da crise econômica internacional aporta no Brasil e explode o escândalo Petrobras.

Mas engana-se quem atribui os problemas da estatal apenas à corrupção. “A má gestão da empresa influenciou, e muito, a forma como o mercado enxerga a maior empresa do Brasil”, diz o presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de Minas Gerais (Apimec), Juliano Pinheiro. “É, também, a companhia mais endividada do país. A credibilidade da empresa está muito abalada”, diz o presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC), Paulo Ângelo de Souza.

A título de comparação, uma ação da Petrobras, que valia R$ 23,21 em janeiro de 2007, caiu para R$ 9,36 em 2015, quase três vezes menos.
As crises afetam todas as companhias, mas problemas setoriais também contribuiram para derrubar o valor de algumas delas. A Cemig foi afetada em 2011 pela Medida Provisória (MP) 579, convertida na Lei 12.873, que renovou antecipadamente as concessões de geração de energia mediante redução das tarifas.

Crise internacional

Ao olharmos para fora, o primeiro abalo na bolsa brasileira foi gerado pela crise do subprime, desencadeada pela quebra dos bancos que concediam empréstimos hipotecários de alto risco nos EUA. Entre 2007 e 2008, o Ibovespa batia os 75 mil pontos e, em pouco tempo, despencou para 50 mil pontos, mantidos até hoje. Na última sexta-feira, a bolsa de valores fechou em 51 mil pontos.

“O PIB do Brasil cresceu 7,5% em 2010, após uma série de medidas que deram certo. No ano anterior, houve retração de 0,3%. Depois, não foi possível segurar mais”, afirma o analista de Utilities da Lopes Filho, Alexandre Montes.

Quando a crise americana se torna um problema menor, a desaceleração da China, a partir de 2010, se transforma em um problema ainda mais grave para o Brasil. O preço das commodities vai ao chão, afetando Vale, Usiminas e Petrobras, entre outras. As ações da Vale, que em 2007 eram cotadas a R$ 18,17, caíram para R$ 4,76, quase quatro vezes menos. O valor de mercado despencou de R$ 57 bilhões para R$ 14 bilhões.

Desempenho da Cemig é positivo, mas novo ordenamento do setor ‘assustou’ o mercado

Entre o início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, e do segundo, em janeiro deste ano, o valor de mercado da Cemig saltou de R$ 7,5 bilhões para R$ 11,9 bilhões, aumento de quase 40%. No mesmo período, as ações preferenciais da companhia passaram de R$ 7,78 para R$ 12,4.
O salto é grande, mas poderia ser maior se não fosse a Medida Provisória (MP) 579, convertida na Lei 12.873, que renovou antecipadamente concessões mediante redução da tarifa energética para os consumidores.

Para o setor elétrico, reduzir a tarifa para os consumidores é sinônimo de lucro menor. E, consequentemente, menores dividendos para os acionistas. Como consequência, no dia do anúncio da MP, a Cemig perdeu R$ 5,2 bilhões em valor de mercado, principalmente devido à fuga dos investidores estrangeiros.

Em 12 de setembro de 2012, a empresa, que tinha valor estimado em R$ 26,8 bilhões, passou a valer R$ 21,6 bilhões. Na data, as ações preferenciais, sem direito a voto, que valiam R$ 31,50 fecharam o dia a R$ 25,29. A MP pegou em cheio todo o setor elétrico, vale ressaltar.

Outra ameaça ao desempenho das ações da empresa é a possibilidade de perda de três das principais usinas: Miranda, Jaguara e São Simão. Juntas, elas respondem por 45% da geração da estatal.

União e Cemig travam na Justiça uma batalha pelas geradoras. “A Cemig vem atuando no sentido de ampliar o parque gerador para suprir eventuais perdas de concessões, além de trabalhar no sentido de participar de novos leilões para licitação e relicitação de empreendimentos de geração e transmissão”, informa a empresa em nota.

Grandes empresas chegam a valer quatro vezes menos do que em 2007

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