
A inadimplência em Belo Horizonte recuou 7,58% em fevereiro, na comparação com igual mês do ano passado, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH). Na prática, os dados mostram que mais consumidores estão quitando suas dívidas e limpando o nome. Em contrapartida, no mesmo período, o número de novos registros no SPC aumentou 1,78%.
Segundo a economista da CDL/BH, Ana Paula Bastos, a redução no total de inadimplentes (cancelamentos) já era esperada em função do maior número de pessoas no mercado de trabalho, do aumento da renda e da redução das taxas de juros. “Nessas condições, fica mais fácil renegociar dívidas, portanto, a população procura quitar seus débitos”, afirma.
Outro lado
Pela mesma razão, o aumento de novos registros de inadimplentes também não foi surpresa para a instituição. De acordo com Ana Paula, todos esses fatores, aliados à ampliação da oferta de crédito e à falta de planejamento orçamentário, culminam em gastos além da conta.
“A inadimplência está diretamente atrelada ao consumo e o brasileiro não tem o hábito de poupar. As pessoas fazem muitas compras parceladas e, na hora de somar o valor das prestações, não conseguem honrar seus compromissos”, diz a economista.
Movimento comum
O crescimento da inscrição de consumidores inadimplentes é sazonal e comum nos primeiros quatro meses do ano, segundo a economista da CDL/BH. Nesse período, grande parte dos consumidores ainda está quitando dívidas referentes às festas de final de ano e arcando com despesas com material escolar e impostos.
“Esse movimento segue uma sazonalidade. No primeiro quadrimestre, as inscrições aumentam. Depois, apresentam altos e baixos”, aponta.
Para a economista, a tendência, neste ano, é a de que o número de cancelamentos siga em expansão. “Esperamos maior empregabilidade e renda, portanto, consequente queda na inadimplência”.