
Os indicadores de que a indústria mineira vai de mal a pior justificam o pessimismo dos empresários no Estado. Em outubro, o índice de confiança da categoria alcançou mais uma queda histórica, chegando aos 31,4 pontos. O resultado está a mais de 20 pontos abaixo da média histórica (53,0) e 3,6 pontos abaixo da média de confiança nacional.
Em termos práticos, o indicador medido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que a expectativa negativa dos empresários está longe de ser revertida. Em relação a outubro do ano passado, o índice está 10,9 pontos mais baixo.
A principal razão é a fragilidade do ambiente de negócios atual e a sucessiva queda das principais variáveis que apontam o desenvolvimento industrial. Há quedas de faturamento, indicadores como horas trabalhadas, massa salarial real, rendimento médio mensal.
O emprego – uma das variáveis mais importantes – caiu 6,1%, seguindo a tendência verificada ao longo de todo ano. Mesmo no mês de setembro, quando as contratações deveriam aumentar tanto na indústria quando no varejo, o indicador não registrou melhora.
Dentro desse contexto, as empresas de médio porte são as mais pessimistas, com 29,9 pontos. Como consequência, as projeções da Fiemg para a Produção Industrial do Estado, até o final de 2015, já apontam para uma queda de 7,6%.
Mesmo com a pequena melhora no fechamento do terceiro trimestre do ano, a indústria mineira ainda não conseguiu reverter o quadro de perdas que vem registrando desde janeiro.
Em setembro, o faturamento real caiu 1,6% na comparação com o mês anterior, refletindo o desaquecimento das vendas nos mercados interno e externo. Na comparação do acumulado do ano com o mesmo período de 2014 a queda chegou a 14,5%.
Os setores de Máquinas e Equipamentos, Metalurgia e Veículos Automotores, responsáveis por mais 60% da matriz econômica do Estado, são os que mais sofreram recuo.
“Essas quedas refletem claramente a redução dos investimentos feitos pelas empresas. De janeiro a setembro, o setor de Máquinas e Equipamentos, por exemplo, recuou 48,1%”, explica o presidente do Conselho de Política Econômica da Fiemg) Lincoln Fernandes.
O emprego no setor de Máquinas e Equipamentos registrou retração de 21% de janeiro a setembro, frente ao mesmo período do ano passado. A maior queda entre todos os setores analisados.
Faturamento industrial de Minas deverá cair 13,9%, segundo a Fiemg.