Indústria mineira caminha para fechar 2014 no vermelho

Tatiana Moraes - Hoje em Dia
Publicado em 08/07/2014 às 08:05.Atualizado em 18/11/2021 às 03:18.
 (Marcelo Prates )
(Marcelo Prates )

A indústria mineira caminha para fechar o ano no vermelho. Em maio, o faturamento do setor caiu 7,60% na comparação com igual mês do ano passado. O resultado contribuiu para que a receita, no acumulado de janeiro a maio, fechasse em queda de 5,29% na comparação com igual período de 2013.

Como consequência, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) já pensa em revisar para baixo a previsão de faturamento de 2014, que era de uma leve alta de 0,96% na comparação com o ano anterior.
“Se continuar nesse ritmo, o ano será negativo. É inevitável”, afirma o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves.

De acordo com o industrial, o mau desempenho é reflexo de um cenário macroeco-nômico ruim. Além dos juros em alta, que reduzem o consumo ao tornarem o crédito escasso e caro, e do aumento da inadimplência, ele cita a perda de competitividade da indústria mineira. “As pessoas compram menos e a indústria depende do comércio. Além disso, há menos investimentos em inovação por parte das empresas, fazendo com que o incremento em valor agregado seja menor”, diz. Com menos valor agregado, a produtividade cai.

Apesar do menor faturamento, a utilização da capacidade instalada registrou leve aumento. Entre janeiro e maio deste ano, houve alta de 1,19 ponto percentual nesse indicador, que passou de 84,11% para 85,30%. A elevação, de acordo com Gonçalves, é uma tentativa de compensar a falta de inovação. “As empresas tentam aproveitar a capacidade para reduzir os custos”, explica.

A falta de investimentos em infraestrutura por parte dos governos também atrapalha os negócios, já que encarece a produção brasileira. Segundo o presidente do Comitê de Política Econômica, até 2010 os aportes em infraestrutura giravam em torno de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, são de aproximadamente 2%.

Indústria mineira despenca no mês de abril
Lincoln Gonçalves, da Fiemg: "Antes, quando as indústrias estavam em crescimento, era
possível uma 
massa salarial dessas. Agora não". (Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia

Com todo esse cenário conturbado, Gonçalves chama a atenção para o aumento da massa salarial real dos trabalhadores da indústria, que aumentou 5,21% entre janeiro e maio deste ano no confronto com o mesmo intervalo de 2013. “Os salários têm sido reajustados muito acima do crescimento das companhias. Antes, quando as indústrias estavam em crescimento, era possível uma massa salarial dessas. Agora não”, diz.

Com relação à Copa do Mundo, o levantamento elaborado pela Fiemg ainda não reflete os impactos do mundial. “A partir de junho será possível perceber os reflexos”, prevê.

Indústrias automotiva e têxtil puxaram a queda de receita

Oito dos 15 subsetores da indústria de transformação analisados pela Fiemg nos Indicadores Econômicos de Minas Gerais (Index) apresentaram resultados negativos.

A indústria automotiva foi responsável pelo pior resultado, com queda de 19% no faturamento entre janeiro e maio de 2014, na comparação com igual período de 2013. Em maio, a queda foi ainda mais intensa, com retração de 21,86% na comparação com o mesmo mês do ano passado.


A Fiat, que possui unidade instalada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), encerrou o mês de maio com 55.941 veículos emplacados, queda de 7% na comparação com os 60.248 de abril.

Vestuário

O setor de vestuário também apresentou resultados ruins, principalmente no acumulado de janeiro a maio, com queda de 5,28% no confronto com o mesmo intervalo de 2013.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário no Estado de Minas Gerais (Sindivest-MG), Michel Aburachid, o cenário conturbado da economia é responsável pela fraco desempenho. “Os juros altos e o crédito limitado não ajudam”, afirma.

A concorrência desleal dos produtos chineses e indianos atrasa ainda mais o setor. “Os importados são um problema de sempre”, critica Aburachid.

Bebidas em alta

Na contramão, o segmento de bebidas registrou forte desempenho, com crescimento de 15,40% no acumulado de janeiro a maio, no confronto com igual período do ano passado, e elevação de 16,26% em maio, ante o mês anterior.

Segundo o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da entidade, Lincoln Gonçalves, o bom resultado é reflexo do aumento da produção para formar estoques e atender à Copa do Mundo.

O gerente-geral da Mate Couro, Lázio Divino, cita o clima quente que assolou o país nos primeiros meses do ano como responsável pelo bom resultado. “Não choveu e houve muito calor. Neste cenário, nós vendemos mais”, comemora. A empresa registrou faturamento 10% maior no acumulado do ano.
 

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