
A indústria mineira encerrou o acumulado de janeiro a setembro com leve queda (-0,36%) no quadro de empregos, aumento da massa salarial (3,89%) e forte retração no faturamento (-7,62%), indicando baixa produtividade e perda de competitividade.
O quadro foi classificado como “crítico” pelo presidente do Conselho de Política Econômica da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Fernandes, durante apresentação nessa terça-feira (4) dos resultados do setor.
Ainda de acordo com ele, não se sabe até quando será possível segurar os empregos. “As empresas estão faturando menos e os salários estão crescendo. Com a baixa competitividade, o aumento dos custos não é repassado para o produto. Vai chegar um momento em que não será mais possível manter os trabalhadores”, diz.
Ele afirma que a solução para o problema seria macroeconômica. A expectativa é a de que o governo de Dilma Rousseff adote uma forte política fiscal. A redução de gastos daria fôlego para que o governo segurasse a mão na hora de utilizar as políticas monetárias para conter a inflação, possibilitando a redução da taxa básica de juros. Como reflexo, haveria alta do dólar, beneficiando a exportação dos produtos mineiros.
Outra forma de alavancar a indústria do Estado, na avaliação do presidente do Conselho de Política Econômica da Fiemg, seria a desoneração de todos os setores econômicos. A medida, no entanto, bateria de frente com o maior problema do governo federal na atualidade: o desequilíbrio das contas públicas, ou seja, a falta de caixa.
“O governo precisaria beneficiar a todos, não apenas os amigos do rei. Hoje, por exemplo, apenas 52 setores podem transferir o tributo da folha para o faturamento”, comenta.
Na avaliação de Fernandes, a dobradinha Dilma e Fernando Pimentel pode ser a terceira saída. Primeiro, porque ele acredita que algumas medidas de infraestrutura que estavam travadas no passado sairão do papel pelo fato de os dois eleitos serem do mesmo partido.
Depois, porque Pimentel pode ajudar a desarmar uma das principais bombas dos estados: o custo da dívida com a União. “Se os estados reduzirem este gasto, será ótimo”, afirma.
Segundo ele, a redução no custo da dívida abrirá espaço para que o governo de Minas dê mais incentivos à indústria. Entre eles, o presidente do Conselho de Política Econômica da Fiemg cita a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que, ao final, chega a 42% do custo da energia.
“O custo da energia em Minas é um dos maiores do país e isso atrasa investimentos. Se o governo estadual deixar de gastar com a dívida da União, ele pode compensar com o ICMS”, afirma.
Indústria ganha fôlego, mas não sai do CTI
Depois de fechar agosto com faturamento praticamente estável sobre julho (0,02%), a indústria de Minas respirou em setembro e encerrou o mês com alta de 6,56% na comparação com o mês anterior. O fôlego, no entanto, não foi suficiente para melhorar a situação do parque mineiro, mas permitiu que a situação não piorasse. Com o resultado, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manteve a previsão para o ano em queda de 9,1% na comparação com o ano passado. Isso significa que a indústria mineira continua respirando com auxílio de aparelhos.
“Se o resultado piorasse, teríamos que rever o percentual ainda mais para baixo, o que não foi necessário”, afirmou o presidente do Conselho de Política Econômica da entidade, Lincoln Fernandes.
Entre janeiro e setembro, a indústria extrativa apresentou queda de 13,09% na comparação com igual intervalo de 2013. Conforme afirma Fernandes, a retração nos preços da commodity puxou para baixo o desempenho do segmento, embora os volumes extraídos tenham sido altos.
“O volume não foi suficiente para compensar os preços altos. O motivo é a redução do ritmo da China, que possui estoques de minério”, diz. Em setembro, no confronto com agosto, a indústria extrativa registrou alta de 11,46%.
Transformação
Já a indústria da transformação apresentou melhores resultados. Ante agosto, houve elevação de 6,18%. Mas, no acumulado do ano até setembro houve retração de 7,20%, enquanto no confronto de setembro com igual mês de 2013 foi registrada queda de 3,20%.
O setor químico registrou a maior alta entre os subgrupos da indústria da transformação, apresentando crescimento de 41,81% em setembro, na comparação com igual intervalo de 2013, e de 24,47% no acumulado do ano, na mesma base de comparação.
Conforme explica Fernandes, a elevação do setor químico está ligada às empresas de defensivos agrícolas, fertilizantes e adubos que atuam em Minas.
Máquinas em destaque
O setor de máquinas e equipamentos também se destacou com alta de 19,19% na comparação com agosto e de 27,90% no confronto com setembro de 2013. No acumulado do ano, houve alta de 5,78%. De acordo com Petrônio Zica, conselheiro da Delp, indústria de bens de capital, apesar do desempenho apresentado pelo Index, os pedidos não estão satisfatórios. “As empresas que alimentam o setor de bens de capitais são principalmente siderúrgicas e mineradoras, que não estão bem”, avalia.
Na contramão, puxou para baixo o segmento de produtos de metal, com queda de 24,19% em setembro na comparação com agosto e de 59,90% no confronto com setembro de 2013. Segundo Fernandes, em Minas a indústria metálica é concentrada principalmente na construção civil, que reduziu lançamentos, e em veículos.