
Depois de décadas cobrando juros exorbitantes no cartão de crédito, os bancos iniciam uma curva descendente nas taxas. Seguindo o exemplo das instituições financeiras públicas, o Bradesco anunciou a redução de 54% nos juros, passando o encargo de 14,9% para 6,9% ao mês, e outros bancos devem seguir o mesmo caminho. Apesar da boa notícia, especialistas afirmam que há margem para reduzir ainda mais a taxa, que segue estratosférica.
“O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou os últimos 12 meses em 5,2%. Não faz sentido um banco cobrar 6,9% ao mês”, diz o professor de Economia Brasileira e Finanças Públicas da Escola do Legislativo e vice-presidente do Conselho Regional de Economia em Minas Gerais (Corecon-MG), Fabrício Augusto de Oliveira.
Antes da redução, a taxa cobrada pelo Bradesco era mais de dois pontos percentuais superior à média estimada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), de 12,81% ao mês. “Cobrar 14,9% ao mês é surreal, é um absurdo. Quando passa para 6,9% melhora, mas ainda está longe do ideal”, afirma Oliveira. A taxa anualizada será de 122,71%.
Na avaliação de Oliveira, não existe motivo pelo qual o índice seja tão alto. “Os bancos culpam o risco de inadimplência e os impostos para cobrar tão caro, mas acabam superestimando os custos e elevando os juros”, critica.
Entre os bancos privados, o Itaú Unibanco já havia ensaiado um movimento de baixa dos juros. No mês passado, o banco lançou um novo cartão com juro fixo de 5,99% ao mês (o equivalente a 100,99% em 12 meses) e mudanças na forma de cobrar pelo atraso no pagamento. Já o Banco do Brasil reduziu as taxas de 3,87% a 13,7% ao mês para de 2,88% a 5,70%. Santander e HSBC analisam se irão mexer nos índices.
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