
A procura por gás natural ganhou novo alento na Bacia do São Francisco, em Minas Gerais. Em janeiro, as empresas Imetame e Petra registraram quatro descobertas de indícios de hidrocarbonetos na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Até o momento, o combustível foi detectado em 13 blocos de concessão da bacia.
O gás foi encontrado pela Petra em dois poços de blocos diferentes nos dias 2 e 8 do mês passado. Já a Imetame registrou a presença do combustível duas vezes no mesmo poço, em 12 e 17 de janeiro.
A partir de agora, segundo o especialista em gás e petróleo e sócio do escritório MMA Advogados, Marcelo Mello, as empresas darão início aos estudos técnicos para avaliação do gás. “Quando uma empresa registra indício de gás, ela ainda não conhece aquele combustível, que pode ser rico em petróleo líquido ou não. Essas questões são respondidas a partir dos estudos”, explica o especialista.
Ainda de acordo com Mello, os indícios apontam que pode existir uma reserva abundante em Minas. “Mas não é garantido que haja gás em quantidade e qualidade suficientes para comercialização naquele local”, ressalta o especialista.
Caso a qualidade e quantidade estejam de acordo com o exigido, conforme é esperado para Minas Gerais, a extração e a distribuição do combustível aparecem como desafio. “É necessário criar uma forte malha de distribuição, um grande gasoduto”, diz. É a partir desse gasoduto que o combustível chegará em residências, indústrias, usinas, comércio e postos de abastecimento.
Também é certo que a tecnologia de extração na Bacia do São Francisco será mais cara, devido à pouca porosidade das rochas da área, o que retém o gás. Além de caro, o equipamento não está disponível no Brasil. A falta de sondas para perfuração é outro problema a ser resolvido.