Mantega: câmbio não é instrumento para frear inflação

Cláudia Trevisan
Publicado em 15/02/2013 às 09:51.Atualizado em 21/11/2021 às 01:01.
Ex-ministro da Fazenda atuava como voluntário em grupo temático (Valter Campanato)
Ex-ministro da Fazenda atuava como voluntário em grupo temático (Valter Campanato)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira (15) em Moscou que a taxa de juros - e não o câmbio - é o principal instrumento de controle da inflação no Brasil, que em janeiro atingiu o maior patamar desde abril de 2005. Segundo ele, o Banco Central tem de estar "vigilante" e tomar "as devidas providências" na hipótese de o índice de preços não desacelerar "espontaneamente".

Mantega observou que o "sinal de alerta" do governo acende sempre que a inflação supera os 4,5% que são o centro da meta deste ano. Perguntado se os juros iriam subir em razão da alta de preços registrada em janeiro, o ministro respondeu que essa é uma questão que tem de ser endereçada ao Banco Central.

O índice de preços atingiu 0,86% em janeiro, o maior patamar para o igual mês desde 2003 e o mais elevado desde abril de 2005. Anualizado, o percentual significa uma inflação de 6,15%.

O ministro ressaltou que o governo não tem uma meta para a cotação do real em relação ao dólar, mas reconheceu que o nível atual é mais "equilibrado". Segundo ele, a valorização registrada nos últimos dias, que levou o dólar a R$ 1,956, não é uma resposta à alta da inflação e decorre de movimentos normais do mercado.

A apreciação da moeda pode ajudar no controle de preços na medida em que torna mais baratas as importações - são necessários menos reais para pagamento do valor em dólares."Não houve mudança na política cambial", disse, observando que o regime é de "flutuação" e "vigilância" para evitar excesso de volatilidade.

A guerra cambial continua a estar no centro da agenda da reunião do G-20, o grupo dos maiores países industrializados e emergentes, que começa nesta sexta-feira em Moscou. Responsável por iniciar essa discussão em 2010, Mantega avaliou que a posição brasileira hoje é mais "tranquila", em razão da desvalorização do real registrada a partir da metade do ano passado.


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