VIDA DE LUXO

Mentores do esquema de suplementos irregulares ostentavam nas redes e ensinavam como sonegar em MG

Dois homens foram presos nesta quarta-feira durante a operação Casa de Farinha

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 25/03/2026 às 18:00.Atualizado em 25/03/2026 às 19:34.
Investigados ostentavam carros de luxo e alto padrão de vida nas redes sociais, onde também divulgavam cursos sobre o modelo de negócio (SEF-MG / Divulgação)
Investigados ostentavam carros de luxo e alto padrão de vida nas redes sociais, onde também divulgavam cursos sobre o modelo de negócio (SEF-MG / Divulgação)

Os suspeitos de comandar o esquema de venda de suplementos, com o uso de e-books para sonegar impostos em Minas e em Goiás, são dois jovens, de 29 e 35 anos, segundo informou a Polícia Civil. Os “mentores” da fraude utilizavam as redes sociais para ostentar um padrão de vida elevado, com carros de luxo e bens de alto valor. Ambos foram presos nesta quarta-feira (25).

Segundo a investigação, a ostentação na internet também servia como estratégia para atrair novos interessados no modelo de negócio. Os suspeitos passaram a ensinar o funcionamento do esquema para outras pessoas. “Existia um padrão de vida muito alto e várias pessoas compraram um curso que eles vendiam na internet”, afirmou Pedro Henrique Pereira Correa, coordenador regional do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (CAOET).

De acordo com os investigadores, o discurso apresentado nas redes reforçava a ideia de enriquecimento rápido, acrescentou o superintendente de Fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG), Carlos Renato Machado Confar. 

Fraude pode ter provocado prejuízos a 1 milhão de consumidores

A operação para barrar o sofisticado esquema de venda de suplementos também revelou indícios de irregularidades sanitárias na fabricação dos produtos, incluindo a possível ausência dos princípios ativos anunciados. A fraude pode ter causado prejuízos a cerca de 1 milhão de consumidores em todo o país

As investigações apontam 1 milhão de CPFs ligados à compra dos produtos comercializados pelo grupo, segundo informou a Receita Estadual. Foram identificadas falhas graves durante fiscalização sanitária realizada na fábrica em Arcos, como produtos vencidos, armazenamento inadequado, rotulagem em desacordo com a legislação e suplementos sem as propriedades anunciadas. 

Entenda o esquema

Segundo as investigações, o grupo utilizava uma estratégia complexa de manipulação para burlar a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os suspeitos associavam a venda dos produtos a conteúdos digitais. O valor do produto físico era reduzido nas notas fiscais, enquanto o e-book - que possui imunidade tributária - era registrado com preço elevado, concentrando a maior parte da operação em uma faixa isenta de impostos.

Conforme as apurações, o esquema contava com uma estrutura ampla, com mais de 300 empresas envolvidas na comercialização dos produtos em todo o país. A atuação era dividida por núcleos: uma fábrica responsável pela produção dos encapsulados - suplementos revestidos por uma camada protetora, como cápsulas de gelatina -, uma filial para distribuição e uma rede de afiliadas para realizar a venda direta ao consumidor final.

Prejuízo superior a R$ 100 milhões aos cofres públicos

A operação "Casa de Farinha" aponta prejuízo inicial superior a R$ 100 milhões aos cofres públicos. São apurados crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e delitos contra a saúde pública, como a fabricação e o comércio de substâncias sem registro e em desobediência às normas da vigilância sanitária. 

Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, joias, ouro, relógios e diversos equipamentos eletrônicos. Ao todo, 14 veículos foram recolhidos, incluindo um avaliado em mais de R$ 2 milhões, além de outros bens de alto valor que, segundo as autoridades, indicam um padrão elevado de vida mantido pelos investigados.

'Casa de Farinha'

A operação "Casa de Farinha" foi coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA), que une Ministério Público (MP), Receita Estadual, Advocacia-Geral do Estado e as polícias Civil e Militar.

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