
Nas décadas de 70 e 80, os consumidores viram e ouviram na TV o grudento slogan “Não se esqueça da minha Caloi”. Só que, com o passar do tempo, eles se esqueceram. E do mercado de bicicletas como um todo. Com a estabilidade econômica, o aumento do poder aquisitivo da população e a farra do crédito, o brasileiro passou a preterir a magrela em favor das motocicletas. A produção das bikes nas fábricas derrapou e só agora, com o trânsito caótico nas cidades e a sustentabilidade em voga, volta a ganhar fôlego.
A expectativa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) é acelerar, em 2013, a produção para 5 milhões de unidades no país. Em 2012, foram 4,5 milhões. “Há uma movimentação positiva por parte de prefeituras e governos estaduais, incentivando o uso de bicicletas com a criação de ciclovias, ciclofaixas e bicicletários integrados a estações de transportes públicos. Virou um veículo da moda. Não emite poluente e faz bem à saúde do condutor”, diz o diretor executivo da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves.
Segundo ele, comprador e produtor já não são mais os mesmos. A bicicleta deixou de ser um veículo das classes menos favorecidas para cair nas graças dos mais abastados. Dependendo do modelo, o preço pode chegar a R$ 15 mil. “O perfil do mercado está mudando, com crescimento da demanda por produtos de maior valor agregado e mais sofisticados, ou seja, equipadas com marchas, materiais levíssimos e acessórios modernos”, descreve.