
A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota (rating) da siderúrgica ArcelorMittal em um nível, para grau especulativo. Neste ano, a Standard & Poor’s já havia realizado o mesmo procedimento. O rebaixamento foi motivado pela dívida da companhia e pela piora do mercado global de aço.
A dívida da Arcelor aumentou em razão de US$ 1,9 bilhão em fluxo de caixa livre negativo gerado por uma deterioração nos mercados de aço globais. “Nós vemos condições desafiadoras para a ArcelorMittal nos próximos trimestres e probabilidade de uma piora no ambiente operacional da empresa antes de uma melhora”, afirmou Steve Oman, vice-presidente sênior e analista da Moody’s para o setor siderúrgico europeu.
Elefante
“Diante do cenário, a Arcelor, que é disparada a maior siderúrgica do mundo, é um elefante que luta para não se tornar um elefante branco”, diz o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.
O aprofundamento da crise poderá ter impactos nas unidades instaladas em território mineiro, como Juiz de Fora, Contagem e João Monlevade. “A empresa já abafou um alto-forno na França e terá que abafar outros, embora isso aumente o prejuízo. Também deverá rever alguns ativos”, afirma Galdi.
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, Platinir Éder Mendonça, diz que as operações da empresa no município estão “normais”, mas que o plano de duplicação da planta foi abandonado. “Chegaram a fazer terraplenagem, mas não continuaram o investimento”, afirma.
Em João Monlevade, o plano de dobrar a capacidade de produção foi iniciado e não teve continuidade. “Compraram até os equipamentos, que estão nas unidades de Juiz de Fora e Cariacica (ES), mas não devem voltar com o investimento neste ano”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade, Luiz Carlos da Silva.
*Com agências